26 Jul 2026
O Rancho Folclórico Cravos e Rosas recebeu em Ul grupos de Tábua, Póvoa de Varzim e Vale de Cambra para uma noite de partilha, tradição e defesa da continuidade do folclore entre as novas gerações
O Rancho Folclórico Cravos e Rosas voltou a transformar o Largo da Capela de Adães, em Ul, num ponto de encontro de tradições, com a realização da 33.ª edição do seu festival. Ao grupo anfitrião juntaram-se o Rancho Folclórico da Freguesia de Covas, de Tábua, o Rancho Folclórico de Aver-o-Mar, da Póvoa de Varzim, e o Grupo Folclórico e Etnográfico de S. Pedro de Castelões, de Vale de Cambra.
Antes das atuações, cerca de 200 elementos e convidados participaram num jantar de convívio, no qual o Pão de Ul ocupou lugar de destaque. O acolhimento incluiu ainda momentos informais de dança e partilha, com cada grupo convidado a ensinar aos restantes uma música e uma dança da região que representa.
Depois do desfile até ao recinto, o Cravos e Rosas abriu o festival com um quadro etnográfico dedicado à expectativa e à ansiedade vividas na noite da festa há cerca de um século. Seguiram-se as atuações dos grupos convidados, trazendo ao palco usos, costumes, trajes e formas de dançar de diferentes pontos do país.
Para além da celebração, o encontro trouxe uma preocupação comum aos participantes: a dificuldade em atrair jovens para os ranchos. A continuidade dentro das famílias continua a ser uma das principais formas de renovação, mas os responsáveis reconhecem que a diversidade de interesses e propostas de lazer torna cada vez mais difícil assegurar novas gerações de folcloristas.
"É A NOSSA FESTA, O NOSSO DIA" "É a festa principal, é a nossa festa, o nosso dia. É com muito orgulho que recebemos todos estes grupos e assinalamos mais um ano de folclore, de muito trabalho e de conquistas importantes." Liliana Tavares, presidente da direção do Rancho Folclórico Cravos e Rosas
DIFERENÇAS QUE ENRIQUECEM O FOLCLORE "Quanto melhor nos relacionarmos com os outros grupos, colaborarmos e discutirmos ideias em prol do folclore português, melhor será para todos. Ninguém é melhor do que ninguém: temos usos e costumes diferentes para apresentar." Marta Henriques, representante do Grupo Folclórico e Etnográfico de S. Pedro de Castelões
"O FOLCLORE É PARA QUEM GOSTA" "O folclore não é para quem quer, é para quem gosta. Quem gosta vem, participa e dedica-se, porque é uma atividade diferente e exige esse gosto verdadeiro pelas tradições." António Santos, elemento do Rancho Folclórico de Aver-o-Mar
JOVENS AFASTAM-SE DOS GRUPOS "É um problema generalizado em praticamente todo o país. Os jovens não estão a aderir muito e é pena, porque estamos a preservar os usos e costumes dos nossos antepassados e precisamos de quem lhes dê continuidade." Manuel Pereira dos Santos, representante do Rancho Folclórico da Freguesia de Covas
APRENDER AS DANÇAS DOS CONVIDADOS "Pedimos sempre aos grupos convidados que nos ensinem uma música e uma dança da região deles. É uma forma informal de aprender, partilhar e conviver antes de todos subirem ao palco." Liliana Tavares, presidente da direção do Rancho Folclórico Cravos e Rosas
REPRESENTAR UMA ÉPOCA COM RIGOR "Preservar a cultura e a etnografia é respeitar o legado que nos foi deixado. Quando representamos o século XIX ou o início do século XX, devemos tentar fazê-lo o mais fielmente possível." Marta Henriques, representante do Grupo Folclórico e Etnográfico de S. Pedro de Castelões
O GOSTO PASSA ENTRE GERAÇÕES "O folclore passa muito de geração em geração. Temos famílias que já vão na terceira geração e elementos que emigraram, mas continuam ligados ao folclore e a divulgar as tradições portuguesas nos países onde vivem." António Santos, elemento do Rancho Folclórico de Aver-o-Mar
CRAVOS E ROSAS PREPARA A CONTINUIDADE "O Rancho Cravos e Rosas está a fazer um trabalho maravilhoso, porque está a preparar juventude para dar continuidade ao folclore e à etnografia do nosso país." Manuel Pereira dos Santos, representante do Rancho Folclórico da Freguesia de Covas