6 Nov 2025
> Bruno Aragão (PS)
Muito se tem falado no envolvimento dos jovens na política. Nunca deixando de ser uma preocupação constante, a reflexão reavivou-se no seguimento das eleições para a Juventude Socialista, uma estrutura política de jovens que, em Oliveira de Azeméis, contraria muito do que se diz dos jovens e dos políticos. Três ideias para o explicar.
Em primeiro lugar, sempre achei errada a relação paternalista que, muitas vezes, as estruturas mais seniores têm com as estruturas de jovens. Os jovens devem ocupar um espaço próprio, porque ele existe para ser ocupado. É certo que todos já fomos jovens, mas ser jovem é diferente em cada época. Esse espaço existe e tem cada vez mais jovens na nossa estrutura.
Em segundo lugar, não gosto de idadismos. Acho tão errado um excessivo discurso sobre a juventude, como acho errada a desconsideração pelas reflexões e ideias dos mais velhos. Há conhecimento que só a idade traz e há competências que se maturam com o tempo. Sem elas, quase sempre, se fica com uma visão curta dos problemas e dos desafios. Essa relação entre gerações tem sido, na nossa estrutura, uma das maiores belezas.
Em terceiro lugar, a maioria dos desafios são suficientemente complexos para se resumirem a mensagens curtas. E mensagens curtas são, muitas vezes, sintoma de ideias curtas. E não defendemos nem queremos jovens com ideias curtas. A forma como comunicamos não tem de ser aborrecida nem ultrapassada, mas a visão que construímos do mundo não é um entretenimento. Transformá-lo nisso pode parecer giro e mais fácil de comunicar, mas é o primeiro sinal de que não estamos realmente preocupados com o envolvimento dos jovens, apenas com o seu voto. É oportunista.
Por tudo isto, aprecio o trabalho que a Juventude Socialista tem realizado, mostrando que a irreverência não se perde com debates sérios e que a elegância na discussão não tira juventude. Assim nos sintamos parte do mesmo lugar e do mesmo tempo.
Bruno Aragão, Presidente da Comissão Politica Concelhia do PS