28 Feb 2026
Filipe Rodrigues, eleito da AD, quer a estrutura local de proteção civil equipada com operacionais certificados, viaturas próprias e material de sapador
Filipe Rodrigues, eleito da AD, garante que o próprio coordenador municipal da Proteção Civil faz trabalho de campo enquanto serve de "central telefónica ambulante"
A capacidade de resposta do município de Oliveira de Azeméis a intempéries e fenómenos extremos dominou o debate na Assembleia Municipal de 27 de fevereiro. A oposição alertou para a falta de meios humanos dedicados, relatando um episódio insólito em que o próprio coordenador da Proteção Civil estaria a cortar uma árvore enquanto atendia chamadas de emergência. O presidente da Câmara refutou o cenário, classificou as críticas como "desrespeitosas" e contrapôs com o anúncio de novas contratações e avultados investimentos.
Duras críticas ao estado da Proteção Civil no concelho: Filipe Rodrigues, eleito da AD levantou o tema lamentando que esta área "não tenha merecido prioridade estratégica".
Num território extenso, com zonas de elevado risco de incêndio florestal e áreas vulneráveis a inundações, o deputado questionou o nível de preparação local caso os fenómenos atmosféricos que assolaram o país tivessem atingido o concelho em cheio.
"A Proteção Civil não pode existir apenas para reagir quando há incêndios, cheias ou derrocadas. Tem de funcionar de forma permanente com planeamento, prevenção, monitorização e capacidade operacional própria", defendeu Filipe Rodrigues, sublinhando que "vontade não substitui estrutura" e "dedicação não substitui meios humanos e qualificados".
Apesar de tecer rasgados elogios ao Coordenador Municipal da Proteção Civil, classificando o seu trabalho como "excecional", o deputado usou um exemplo prático para ilustrar a alegada falta de meios da autarquia, afirmando que não é sustentável que o responsável esteja "simultaneamente a operar equipamentos, a atender chamadas e a coordenar ocorrências". O eleito propôs, por isso, a criação de uma ou duas equipas municipais dedicadas exclusivamente a este serviço, com operacionais certificados, viaturas próprias e material de sapador.
A resposta de Joaquim Jorge, presidente da Câmara, foi dura e imediata. O autarca considerou a avaliação da oposição "profundamente desrespeitosa para com todos os agentes de proteção civil do nosso concelho", acusando o deputado de confundir a Proteção Civil apenas com a Câmara Municipal, ignorando os restantes agentes no terreno.
Sobre a capacidade de resposta a fenómenos meteorológicos radicais, o edil foi perentório: "É completamente impossível nós darmos resposta quando os fenómenos superam claramente a capacidade que nós temos instalada", recusando chamar "incompetentes" ou "negligentes" aos autarcas de outras regiões do país severamente fustigadas por intempéries.
O momento mais quente do debate deu-se quando Filipe Rodrigues descreveu o Coordenador Municipal como uma "central telefónica ambulante". O deputado relatou que, durante uma ocorrência, o município utilizou uma plataforma elevatória que custou 85 mil euros e que era o próprio coordenador que se encontrava "na plataforma em altura a operar uma motosserra numa árvore que estava em risco de queda".
Segundo o relato, perante novas solicitações, o responsável teve de interromper o corte para "atender as chamadas e deslocar-se a outro local". Na resposta, o Presidente da Câmara rejeitou a imagem traçada: "Desconheço sinceramente que o nosso Coordenador Operacional Municipal estivesse de motosserra em cima da árvore, impedido de atender telefonemas, mas não me parece que isso corresponda à realidade".
Do passado "incipiente" aos novos investimentos estruturais
A defesa da atual política de Proteção Civil do município contou ainda com o reforço da bancada do Partido Socialista (PS). O deputado Bruno Aragão recordou que, há oito anos, a estrutura municipal nesta área era "incipiente" e que, hoje, o Centro Municipal é uma "realidade que nos permite respostas mais efetivas". O socialista acusou a oposição de ter ignorado o tema no passado, frisando que a atual rede pluvial, os veículos e os planos de coordenação mitigaram problemas maiores durante as últimas intempéries.
Respondendo à exigência de equipas próprias formulada pela oposição, o Presidente da Câmara negou qualquer inércia e colocou números em cima da mesa. O líder do Executivo recordou que o município está a fazer um investimento fortíssimo na capacitação do serviço, revelando que o Mapa de Pessoal de 2026 prevê a entrada de cinco novos recursos humanos para o Serviço Municipal de Proteção Civil. Estes operacionais terão como missão ajudar a concretizar as futuras Unidades Locais de Proteção Civil nas freguesias, garantindo uma resposta mais célere nos momentos iniciais das ignições.
Para além da contratação de recursos humanos, o Executivo Municipal sublinhou que está em curso um investimento a rondar os 600 mil euros na capacidade global de resposta do território. Esta verba traduz-se na dotação das corporações de bombeiros voluntários com novos equipamentos pesados e operacionais, como "motobombas de grande capacidade" e sistemas de "abastecimento de oxigénio em teatros de operações".
Adicionalmente, foi anunciada a aquisição de "quatro viaturas" que servirão o Serviço Municipal de Proteção Civil e as novas equipas operacionais. Para reforçar a segurança das forças no terreno, a autarquia vai ainda distribuir 50 Fatos de Proteção Individual (FPI) completos, equipados com capacetes e lanternas.