8 Jan 2026
Eduardo Costa*
Bilhete Postal
“Não devemos exaltar os ânimos anti-americanos. Afinal, estamos a enfrentar alterações comporta-mentais da América de Trump”
O ano de 2026 começa assim-assim. Nós últimos anos a incerteza de grandes conflitos afeta-nos. Mesmo que psicologicamente.
O garante da democracia ocidental desde a segunda-guerra abandonou-nos. Literalmente os americanos decidiram deixar de ser nossos irmãos de confiança inabalável.
Não devemos exaltar os ânimos anti-americanos. Afinal, estamos a enfrentar alterações comportamentais da América de Trump. Há outros EUA.
“Tínhamos o terceiro maior arsenal nuclear do mundo, desistimos dele por um pedaço de papel e veja o que aconteceu’. Assim lembram os ucranianos. Curiosamente, há três décadas, os Estados Unidos, nomeadamente, garantiram que os defenderiam sem limitações se a Rússia os atacasse. A América de Biden cumpriu. A América de Trump decidiu esquecer esse acordo.
Com ou sem Trump, a confiança total no irmão americano está irremediavelmente afetada.
Será talvez o momento de lembrar que foram os europeus que deram a mão aos americanos na sua guerra civil. E também estiveram às suas ordens na guerra-fria. Ou na invasão do Iraque.
Ouvi em 1996 numa conferência a que assisti, após a queda do ‘muro de Berlim’ e o fim da guerra-fria, o antigo responsável da política externa dos EUA, Henry Kissinger, afirmar: “não nos mandem embora, pois vocês aqui na Europa não se entendem”. O momento diz-nos que previu bem. Contudo, não previu que fossem os EUA a abandonar-nos.
O ano de 2026 começa com muitas incertezas. No nosso continente também. Mas, alguns sintomas nos dizem que pode terminar bem. Ou menos mal. Assim seja!
* jornalista, presidente da Ass. Nac. da Imprensa Regional
(Esta crónica é publicada por cerca de 50 jornais)