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Correio de Azeméis

21 Jun 2023

4 questões que podem impactar a conjugalidade

Catarina Gomes

Catarina Gomes *

Trago algumas reflexões sobre questões que podem impactar a dinâmica do casal, podendo inclusive levar à rutura do mesmo, não significando que o do sentimento que os une terminou:

Parentalidade: A chegada de um filho numa relação pode trazer muitos desafios. Por muito que seja algo conversado mesmo antes de ter filhos, só sabemos como vamos ser como pais na vivência in loco. Daí podem surgir muitas surpresas, na minha forma de estar como mãe/pai, do outro e em nós como família.
É importante irmos alinhando e definindo as intenções individuais de cada um, mas também do todo. Levarmos para essa responsabilidade o igual valor é não julgamento, isto é, pode não ser tudo como eu acho melhor e como tu achas, poderemos ter que encontrar o como nós achamos. E mais, como nós conseguimos… sempre com compaixão e gentileza, pois a parentalidade é algo que mesmo que viesse com manual de instruções, nem sempre daria para segui-lo.
Relação com as famílias de origem: isto é, as famílias de cada um, também é algo que pode interferir na dinâmica conjugal, sem nada ter a ver com o que sentem um pelo outro.
A dependência versus autonomização das famílias é um processo contínuo, que vai acontecendo ao longo do tempo, mas que quando estamos numa relação pode, de certa forma, condicionar formas de ação que não estão alinhadas com aquilo que quer para a própria família.
É algo importante a ser alinhado em casal, conversado e ter-se consciência que o crucial é eu perceber o que quero para mim e para nós, podendo ser necessário reequilibrar certos limites com a nossa própria família.
Dependências: As dependências (química, como drogas, álcool; comportamental como jogo, compras; e mesmo emocional) são sempre vivências que causam sofrimento, quer ao nível do que tem a dependência, quer ao que quer ajudar o outro a superar a sua dependência.
Incompatibilidade entre finalidades individuais e de casal: isto está relacionado com aquilo que eu quero para mim, ser incompatível com a fase em que está a minha relação e família. Por vezes, as minhas necessidades individuais podem estar assíncronas com as do meu companheiro/a, por exemplo, eu quero ir viajar um ano, e a minha companheira quer ter um filho. Perceber o que é importante naquele momento, pode ser um desafio. 
Permitirem-se refletir com apoio sobre aquilo que impacta a relação pode ser crucial para ultrapassar a crise e restaurar a conjugalidade.

*Psicóloga, Terapeuta Familiar e de Casal

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