Olívia Miller refere-se à festa de São Brás como um palco social
>Sociabilidade e tradição
A professora Olívia Miller guarda na memória as cores e os sons de uma freguesia de Ul que sabia celebrar a vida com uma intensidade contagiante.
Para ela, o São Brás não era apenas uma efeméride religiosa, mas o grande palco social da região, onde a juventude se libertava das amarras quotidianas.
Olívia recorda-se vivamente da influência que a festa exercia nas instituições de ensino próximas, como a Escola Industrial ou o Liceu de Oliveira de Azeméis, cujos alunos viam na romaria de Ul um feriado não oficial, caminhando quilómetros a pé pela linha do comboio para se juntarem ao rebuliço das ruas.
Era um tempo de "brincadeiras marotas", de pós-de-arroz e bisnagas que serviam de desculpa para os primeiros olhares e namoros, num ambiente que cruzava a solenidade dos altares com a irreverência carnavalesca.
Para a professora, esse brio e essa alegria são o que definem a identidade ulense, uma marca que o pão quente continua a carimbar no coração de quem visita a terra.
Namoricos e bisnagas
"A minha mãe contava que estas festas atraíam muita juventude. Jogava-se muito com as bisnagas e farinhas; os rapazes atiravam para tentar atrair as meninas e arranjavam-se muitos namoricos. Era tudo alegria, e Ul ficava conhecido precisamente por isso; ninguém ficava indiferente ao São Brás."
Um feriado de facto
"Quando era estudante, as escolas à tarde davam mesmo folga aos alunos para virem à festa. Vinham em grande quantidade a pé, de Oliveira de Azeméis para cá. Pessoas de outras localidades vizinhas e autocarros de longe vinham fazer as suas promessas de manhã e à tarde era a parte mais festivaleira."
O orgulho da freguesia
"A tradição do pão mantém-se e as pessoas continuam a vir em grande quantidade às padeiras. Ul tem a tradição do pão e das padeiras há centenas de anos e isso valoriza a freguesia. Eu, pelo menos, tenho muito orgulho da minha freguesia e gosto muito dela mesmo."