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Correio de Azeméis

22 Jan 2024

A Cidade e as Árvores 1

Destaques Ana Isabel da Costa e Silva

> CRÓNICA Correio OAZ_15 janeiro 2024_Ana Isabel da Costa e Silva

Até meados do século XIX, grande parte dos espaços verdes na cidade eram privados, cuja abertura ao público era periódica e esporádica.
À medida que se densificava o espaço da cidade com construções e população, exemplarmente retratado nas gravuras de Gustave Doré, de 18722, os espaços verdes ganharam, de uma forma geral, grande importância para a qualidade de vida em espaço urbano, e, muito em particular, para a qualidade do ar que se respirava nas cidades.
É no decorrer do século XIX que surgem os primeiros parques públicos. Por iniciativa governamental, abre o primeiro parque, em Inglaterra, o Birkenhead Park, em 18473, desenhado pelo autor do Palácio de Cristal Londrino, Joseph Paxton4.
A uma escala muito mais pequena, um pouco mais tarde e por iniciativa da população, Oliveira de Azeméis, precisamente em 1909, inicia a construção do Parque da La-Salette, cujo plano geral, que ocupa 17 hectares, foi desenhado por Jerónimo Monteiro da Costa, paisagista, herdeiro de uma cultura oitocentista em torno da horticultura, jardinagem, conceção e construção de jardins, na altura, Diretor dos Jardins Municipais do Porto e da Real Companhia Hortícola-Agrícola Portuense5.
É também no decorrer do século XIX que grandes operações urbanas tiveram lugar em grandes cidades como Paris e Barcelona. A primeira, a cargo de Georges-Eugène Haussmann, entre 1852 e 1870, determinada por Napoleão III e, a segunda, delineada pelo engenheiro Ildefonso Cerdá, imposta pelo governo central, iniciada em 1860.
Haussmann procura enobrecer o novo ambiente com os instrumentos urbanísticos tradicionais, nomeadamente a busca de regularidade, a escolha de um edifício monumental antigo ou moderno como pano de fundo de cada nova rua, a obrigação de manter a uniformidade das fachadas dos edifícios que contactavam com as ruas e praças mais importantes6.
Cerdá, em Barcelona, ao desenhar um conjunto repetível de quarteirões antecipa uma solução capaz de se adequar à evolução do transporte individual. A solução formal dos quarteirões, quadrados com 113,33 metros, cujos cantos eram chanfrados a quarenta e cinco graus, construindo uma frente com quinze metros, oferecia inúmeras vantagens nomeadamente à visibilidade no cruzamento dos arruamentos. 
 
1 O título quer lembrar o romance intitulado A cidade e as Serras, de Eça de Queirós, publicado em 1901, em que o autor compara a vida agitada na cidade de Paris e a vida pacata na aldeia serrana de Tormes.
2 https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/objects/co8014229/over-london-by-rail-engraving-london-england-1872-print
3 https://birkenhead-park.org.uk
4 https://www.britannica.com/biography/Joseph-Paxton
5 https://www.cm-oaz.pt/turismo.356/o_que_fazer.510/parques_e_jardins.1377/parque_de_la-salette.1600/.a5264.html
6 BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo, Editora Perspectiva, 1983, p. 595. 

  * Arquiteta de Oliveira de Azeméis, Ph.D., Master Architect. 
anadacostaesilva@correiodeazemeis.pt 

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