Em
Correio de Azeméis

30 Apr 2026

A cidade que vive em modo adiamento

Opinião

> José Campos

Em Oliveira de Azeméis, o tempo parece passar a um ritmo diferente. Aqui, as coisas não acontecem depressa — quando acontecem. Projetos anunciados como prioritários pelo executivo camarário há quase nove anos continuam presos a um vaivém difícil de explicar, como se a cidade estivesse condenada
a assistir a uma novela interminável, cheia de episódios repetidos e poucos desfechos.
O exemplo mais recente é o da Praça Maior, apresentada como um projeto estruturante, uma verdadeira bandeira eleitoral do Partido Socialista. Na prática, porém, continua guardada na gaveta. Ficámos agora a saber que afinal o caminho passa por uma expropriação, quando há uns tempos foi publicamente assumido que existia acordo com o proprietário do terreno. O que mudou? Ninguém explica. O processo segue envolto em secretismo, longe da transparência que se exige quando estão em causa decisões com impacto direto na cidade e nos dinheiros públicos. A Praça maior existe, para já, apenas nas palavras.
Mas este não é um caso isolado. O Mercado Municipal é outro exemplo claro de como o planeamento e o rigor ficaram pelo caminho. Entre atrasos sucessivos e derrapagens financeiras de muitos milhares de euros, houve direito a uma auditoria. O problema é que o prazo para apresentação dos seus resultados terminou há muito e, até hoje, ninguém conhece conclusões,
responsabilidades ou lições aprendidas. 
O Parque Urbano segue a mesma lógica. Anunciado com pompa como um novo pulmão da cidade, continua indisponível. Os prazos vão sendo sucessivamente prorrogados, enquanto a derrapagem financeira — de milhões de euros face ao que estava previsto em 2017 — já não pode ser ignorada. A obra não termina, os custos aumentam e a cidade continua à espera.
As justificações acumulam-se: foi a pandemia, são os empreiteiros, é o mau tempo, foram os preços dos materiais, é tudo e o seu contrário. Certamente que alguns destes fatores existiram e afetaram obras por todo o país. Mas quando são tantas as empreitadas a seguir o mesmo caminho, talvez o problema não esteja sempre fora da Câmara.
Perante este cenário, a conclusão impõe-se quase por si: o rigor tantas vezes apregoado ao longo dos anos já não existe. Ou, talvez, nunca tenha verdadeiramente existido. Governar exige planeamento, transparência e responsabilidade. Oliveira de Azeméis merece mais do que anúncios, promessas e desculpas sucessivas. Merece uma cidade que avance, não apenas no discurso, mas também no terreno.

*Ex-vereador (AD) da Câmara municipal de Oliveira de Azeméis

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