A Festa da Democracia

Helena Terra Opinião

Helena Terra*

Opinião, Helena Terra

As últimas eleições foram as mais participadas desde há cerca de vinte anos. O povo português respondeu com responsabilidade indo às urnas. Votar é a mais nobre manifestação de liberdade e de cidadania no nosso Estado de Direito.
O Direito ao voto é um direito fundamental consagrado no artigo 49º da Constituição da República Portuguesa conferido a todos os cidadãos maiores de 18 anos. É um direito de natureza pessoal, individual, intransmissível e constitui, simultaneamente, um dever cívico e uma obrigação de cidadania.
O nosso país, a europa e o mundo vivem tempos difíceis e preocupantes. Instabilidade política, ameaça bélica e um clima de grande crispação política e social.
Passaram 51 anos sobre a conquista da democracia no nosso país. A democracia que até a algum tempo parecia um dado adquirido e inquestionável, lamentavelmente não é e nunca esteve sob tão fortes ameaças.
Vivemos uma enorme crise institucional em geral e o descrédito da classe política é crescente, levando os cidadãos a afastar-se do que quer que seja que tenha que ver com atividade política, afastando-se do mais elementar poder-dever que a democracia nos confere – o voto.
Nas eleições do passado domingo, os portugueses mobilizaram-se e esta mobilização ter-se -á ficado a dever, por um lado ao fato de termos tido 11 candidatos em confronto; por outro lado à perceção de que, nestas eleições, o voto de todos e de cada um pode contar ou não contar, consoante as escolhas feitas no silencio e na solidão da cabine de voto. 
A campanha eleitoral foi longa, dado que alguns candidatos começaram cedo a sua pré-campanha. Foram vários os debates televisivos e foi grande a presença dos candidatos no espaço público.
A mais alta magistratura da nação exige experiência, serenidade, sentido de Estado e responsabilidade institucional. Os portugueses tiveram isso em mente e em conta. António José Seguro é um político experiente. Foi líder de uma juventude partidária, foi secretário-geral do partido socialista, foi autarca, foi ministro, foi deputado na Assembleia da República e foi deputado europeu. Foi presidente do Conselho Nacional de Juventude. Presidente do Fórum da Juventude da União Europeia, que é a estrutura máxima que representa todas as organizações europeias de juventude. Foi vice-presidente da União Internacional das Juventudes Socialistas. Portanto, experiência política não lhe falta. Sentido de Estado, seguro demonstrou-o quando em 2010, enquanto líder da oposição na AR e Secretário-Geral do PS, pôs o interesse do país à frente do interesse e egoísmo partidário, numa altura em que o país estava sob assistência financeira. Responsabilidade institucional foi a prática quotidiana de Seguro quer em funções públicas, quer em funções partidárias. Recorde-se que, em 2014, Seguro, tendo perdido eleições para Secretário-Geral do PS com António Costa, numa altura em que o partido estava partido, demitiu-se e, “saiu de cena”, quando podia ter ficado a fazer oposição interna. Foi esse mesmo sentido de Estado que o fez regressar em junho de 2025 para poder unir, com a serenidade que demonstrou durante toda a campanha. 
Os portugueses, não se engaram e escolheram bem. Vamos lá à 2ª volta!

 * Advogada
 

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