A história do dia 10 de março

Helena Terra

Helena Terra *

Escrevo este artigo sem que sejam conhecidos, ainda, os resultados definitivos das eleições legislativas do passado domingo. Faltam conhecer os resultados da votação do círculo da Europa e do círculo fora da Europa. Parto, portanto, dos resultados que todos ficámos a conhecer na noite ou madrugada do dia 10 de março.

Com o que conhecemos hoje, a AD (PPD- PSD/ CDS-PP/ PPM) ganhou as eleições por uma escassa diferença de 0,89% em relação ao segundo partido mais votado, o PS. Em terceiro lugar ficou o CHEGA que, relativamente às eleições de 2022, aumentou a sua votação em 10,91%. Facto de salientar é a subida da votação do LIVRE que passou de um para quatro deputados, tal como é de salientar a descida da abstenção, relativamente às legislativas anteriores em 8,27%. Estes são os principais aspetos que devem merecer a atenção de todos, mormente dos dirigentes políticos e, de entre estes, os dos dois maiores partidos.

O eleitorado quis penalizar, claramente o PS e penalizou. O eleitorado está zangado com o partido que estava na governação, apesar de no último ano, os indicadores económicos, financeiros e sociais terem sido bastante bons, e verificados internacionalmente. E, além disso, apesar de Portugal viver uma situação de completa “normalidade”, comparativamente com as diversas crises de diversa ordem que se vivem no resto da Europa. A opinião publicada andou à procura do “homem que mordeu o cão” e a generalizar as situações pontuais que, até há pouco tempo, apenas estávamos habituados a ver numa certa imprensa.
A vitória da AD foi uma vitória pífia. Não esqueçamos que Rui Rio e o seu PPD/PSD sozinho, há dois anos, apenas teve menos 0,82% dos votos que a AD do fim de semana de 10 de março, sendo certo que, há dois anos, o PS teve 41,68% dos votos. Nesta AD houve um derrotado e outro que não sei se foi o salvador ou o salvado. O derrotado foi o PPD/PSD de Luís Montenegro e o salvador ou salvado foi o CDS-PP de Nuno Melo, sendo que este fez o “negócio” partidário da vida dele.
 O LIVRE teve subidas estrondosas em distritos nos quais o PS teve fortes descidas e a extrema-esquerda também, de forma a superar, creio, a melhor das expectativas do seu líder que aspirava a eleger mais um deputado para poder ter um grupo parlamentar e elegeu mais três.

O CHEGA é um fenómeno que merece muita reflexão, sobretudo dos dois maiores partidos em particular. O CH é hoje um partido de implantação nacional que somou os votos dos eleitores zangados com o partido que nos últimos anos esteve no poder com os eleitores que, descrentes nos partidos ditos tradicionais, que engrossavam a abstenção, e que agora foram votar naquele que consideraram ser o partido antissistema e que se revelará, provavelmente, o mais “sistemático” de todos.
Está visto que aquela que foi a “aposta de continuidade” dum mandato governativo e parlamentar abruptamente interrompido, feita pelo secretário-geral do PS, foi errada, completamente errada. Percebo a dificuldade de renunciar a uma herança governativa de que o próprio secretário-geral do PS fez parte, mas a demarcação de alguns “fetiches” é saudável e necessária. Pedro Nuno Santos tem, pela frente, uma tarefa Hercúlea. Em primeiro lugar, para conseguir manter caladas algumas vozes que, no silêncio, fariam poesia de qualidade e, em segundo lugar, para recrutar verdadeiros quadros políticos e trazê-los para a militância do seu partido. Estamos cansados de “non name boys”, porque ninguém os conhece e valem o voto deles.

 * Advogada

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