23 Jul 2026
> António Magalhães
A Escola de Santiago de Riba-Ul, junto ao Senhor da Campa, será, segundo julgo saber, o mais antigo estabelecimento de ensino do nosso concelho. Contará a idade de 153 anos. Alguns anos antes, foi erguida a Escola do Conde de Ferreira, esta na vila de então, mas o edifício ainda em funções não é o original: o primitivo ergueram-no onde se situa o Palácio da Justiça e trasladaram-no no princípio do século passado para que desse espaço à famosa “praça das galinhas”, ainda o Mercado Municipal vinha longe.
A desaparecida Escola Masculina de Santiago de Riba-Ul, onde se instala hoje a sede da Junta, foi inaugurada no dia 1 de Dezembro de 1873. Ficou a dever-se aos esforços de Camilo Pacheco da Costa Ferreira, que entrou na história pelo nome de “Camilo da Fábrica”, graças à sua iniciativa empresarial, e Manuel José Pinto de Azevedo, santiaguenses a quem o Ministro do Reino António Rodrigues Sampaio concederia louvor público.
O edifício que está na origem deste apontamento deve-se às laboriosas canseiras do Dr. João Nepomuceno Rebelo Valente, que promoveu subscrições na freguesia e entre os emigrantes no Brasil, com a pronta colaboração do Visconde de Santiago de Riba-Ul, José Joaquim Godinho. Abriu as portas, consoante pode ler-se na data encrostada na frontaria, no ano de 1877.
Este Dr. Rebelo Valente, que desempenhou vários cargos políticos, entre os quais os de vereador e presidente da nossa Câmara, pertenceu à nobre família dos Rebelos, com brasão de armas por carta régia de 1804. Desta mesma casa foi oriundo José António Gomes Leite Rebelo, a quem seria concedido mais tarde o galardão de Visconde de Santa Maria de Arrifana, o relator dos primitivos “Anais do Município”, que viriam a constituir o texto principal dos “Anais” apresentados em livro há precisamente 117 anos.
Ambos os edifícios escolares de Santiago de Riba-Ul foram projectados graciosamente pelo nosso conterrâneo Eng. António Ferreira de Araújo e Silva, filho do farmacêutico “Joaquim da Botica”, legendária figura imortalizada por Eça de Queirós em “ A Capital”. Director de Obras Públicas no Porto e em Aveiro, saíram do seu estirador trabalhos tão conhecidos como o Hospital de Penafiel, as igrejas de Vera Cruz (Aveiro), São João da Madeira, Ossela e da Misericórdia de Vagos, os balneários do Luso e de São Pedro do Sul, abastecimentos de água de Aveiro e Ovar, o Teatro de Anadia, o Aljube do Porto, a Escola Industrial Faria Guimarães, a Tribuna da Igreja da Trindade, os extintos quartéis de Aveiro (Infantaria e Cavalaria), e a histórica ponte de Entre-os-Rios, de trágico fim. A corrente caudalosa e a fractura de um pilar arrastaram para a morte dezenas de vítimas inocentes.
(Escrito de acordo com a anterior ortografia)