A propósito dos Paços do Concelho

António Magalhães

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Pede o Presidente da Câmara que sejam apresentadas sugestões para o destino dos nossos Paços do Concelho, a vagar brevemente, concentrados que serão todos os serviços no novo Forum. É nesse sentido, e só nesse, que deixo aqui algumas breves reflexões. 
Os serviços camarários foram transferidos para os Paços do Concelho em 1846; no ano seguinte chegou o tribunal. Porque a cadeia funcionava no rés-do-chão, chamaram ao espaço fronteiriço Largo da Cadeia. A designação popular, nada simpática, resistiu até que na sessão da Câmara de 18 de Outubro de 1881 o presidente Dr. António Simões dos Reis proporia aos vereadores que “o largo em frente dos Paços Municipais, denominado Largo da Cadeia, ficasse chamado daquele dia em diante Largo Municipal”. A proposta foi aprovada por unanimidade.
Só os menos jovens recordarão os hóspedes, de rosto famélico, que, particularmente ao domingo, dia de mercado na hoje Praça José da Costa, deixavam cair por entre as grades uma pequena lata onde ansiavam caíssem umas moedas ou um cigarro.
Em data que não posso precisar, face à inexistência de qualquer referência, o recinto passou a chamar-se Largo da República, consoante placa que se conserva. É lícito admitir que a alteração tenha ocorrido logo após 5 de Outubro de 1910 e legítimo compreender que não haja qualquer deliberação camarária: quem viveu os tempos subsequentes a 25 de Abril recorda por certo a sanha persecutória com que, sem qualquer suporte legal, se varreu das nossas ruas e praças – e por cá também! - o honrado nome de cidadãos que apenas cometeram o crime de servir a terra com generosidade.. 
O então Largo Municipal estendia-se até ao imponente solar que ficará para sempre ligado ao nome do saudoso Arq. Gaspar, então moradia dos Morgados de Santo António. Ali em frente situava-se o Senhor coberto, onde aqueles fidalgos jamais deixaram extinguir-se a luz do azeite
Em virtude da macadamização e reforma da então estrada real, tendo de ser apeado o demolido padrão, no dia 11 de Maio de 1859, foi conduzido com uma luzidia procissão o Senhor do Cruzeiro, levado em seu andor pelas autoridades e funcionários públicos, para a igreja matriz, e colocado na sacristia, onde ainda hoje se encontra.
*
Regressando ao tema, todos assumiremos a imponência dos nossos Paços do Concelho. Construção imponente, a marcar uma época. É meu entendimento que a Câmara deve conservá-lo e destinar-lhes as recepções, as cerimónias oficiais. Impossível será, pelo enorme investimento, repor o granito da entrada e do escadório, substituído, numa decisão menos feliz, pelo modernismo do mármore. 


António Magalhães

(Escrito de acordo com a anterior ortografia)

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