A realidade e as redes sociais

Helena Terra

> Helena Terra

Com alguns dias menos agitados, tive tempo para perder nas redes sociais. Quanto ao tempo ter sido perdido, não tenho a certeza se foi tanto assim. Também não tenho a certeza se o tempo aí despendido foi mesmo perdido…
Quase sempre, mas sobretudo nesta altura do ano destinada a férias, romarias e outras festividades, as redes sociais podem ser um “laboratório”, precário é certo, para o início de um estudo sociológico. É enorme o confronto com fábricas de ilusões, mundos, famílias, e relacionamentos amorosos perfeitos.
Abundam as fotos românticas de casais sem qualquer romantismo em locais mais ou menos paradisíacos, pelo menos para a fotografia. Férias de sonho que, no regresso, revelam os velhos problemas das contas que ficaram por pagar e dos mesmos “maus acordares” diários.
Percebe-se também que, por esta altura, há quem passe as férias com o aparelho mágico na mão, quer para bisbilhotar por onde anda o vizinho ou colega de trabalho, sendo que outros aproveitam para revelar a sua enorme ignorância e destilar os seus pequenos ódios e grandes invejas sobre o alvo que apareça mais à mão.
Dou por mim a pensar que, se fosse taxada, a ignorância e a indigência intelectual e social, o país jamais teria défice nas contas públicas…
Nas mais diversas redes sociais, mormente no Facebook, abundam os “opinadores” sobre tudo e sobre nada e os especialistas em coisa nenhuma, professando as maiores aleivosias a roçar o insulto e a má educação. Há quem diga que este é um dos maiores custos da democracia, a dificuldade de conviver e distinguir entre o direito à opinião livre e o dever de respeito e urbanidade pelos outros…
Há dias foi anunciada a introdução, em projetos piloto, de mais uma disciplina no curriculum escolar da escolaridade obrigatória – Literacias. A literacia diz respeito ao ensino e à aprendizagem das habilidades de leitura e escrita. É efetivamente necessário ensinar e cultivar as habilidades das várias leituras e das várias escritas.
As redes sociais deixam bem patente a total iliteracia de uma larga faixa da nossa população, sendo certo que nestes “grupos” abunda gente com nove e doze anos de ensino escolar obrigatório.
Hoje “fala-se mal” na imprensa televisionada e escrita. Hoje, em alguns fóruns, gente com formação académica superior, fala mal, inventa palavras e dissemina a tal iliteracia de que abundantemente se fala. Recordo-me que, no último fim de semana, decorreram as universidades de verão dos dois maiores partidos. Nelas é suposto dar novos mundos ao mundo aos jovens lá presentes para que a nossa classe política vá criando quadros com vista à sua renovação e foi o que se viu e ouviu.
Como foi possível chegar até aqui no país de Camões?


Helena Terra, Advogada

Partilhar nas redes sociais

Comente Aqui!









Últimas Notícias
Morreu Jorge Onofre Pereira, pai do estilista Luís Onofre
23/07/2026
Tiago Lopes é o novo treinador do Cesarense
23/07/2026
Médica de Travanca é uma das vítimas mortais do acidente em Formentera
23/07/2026
Falta de rentabilidade pôs fim às bicicletas e trotinetes partilhadas em Oliveira de Azeméis
23/07/2026
Carta aberta a José Barbosa
23/07/2026
Plano de 162 mil euros reúne mais de 30 medidas para apoiar comércio local do concelho de Oliveira de Azeméis
23/07/2026
Câmara mantém Parque Natal em La Salette mas promete reforçar animação no centro de Oliveira de Azeméis
23/07/2026
João Félix é reforço da Oliveirense
23/07/2026