30 Jul 2026
> José Campos Silva
Ao longo dos últimos anos, os oliveirenses habituaram-se a ouvir falar de orçamentos camarários recorde, investimentos históricos e projetos ambiciosos destinados a transformar o concelho. No entanto, a questão essencial é: quantas dessas promessas realmente se concretizaram?
Os números revelam uma realidade nada entusiasmante. No ano transacto, a taxa de execução do Plano Plurianual de Investimentos (PPI) rondou os 25%, o que significa que apenas um quarto do investimento previsto foi efetivamente realizado. Na prática, três quartos das obras e projetos anunciados ficaram por executar.
Elaborar orçamentos é relativamente simples; concretizá-los é o verdadeiro desafio. Os Oliveirenses não beneficiam de investimentos inscritos em documentos financeiros. Beneficiam, sim, de obras concluídas, escolas requalificadas, estradas melhoradas, equipamentos públicos recuperados e respostas concretas às necessidades das freguesias.
Mais preocupante ainda é a dimensão dos saldos de gerência acumulados. Cerca de 57 milhões de euros nas contas municipais no final do ano civil demonstra levanta uma questão importante: porque continua tanto dinheiro por utilizar quando existem investimentos por concretizar e problemas por resolver?
É verdade que a estabilidade financeira constitui um objetivo importante para qualquer autarquia, no entanto, acumular sucessivamente dezenas de milhões de euros sem os transformar em benefícios diretos para a população não pode ser encarado como um sucesso. Uma câmara municipal não existe para acumular recursos financeiros, existe para os aplicar de forma eficiente no desenvolvimento do território e na melhoria da qualidade de vida dos seus munícipes.
No passado, muitos dos atuais membros do executivo camarário construíram parte do seu discurso político criticando insuficiências de investimento dos executivos anteriores. Exigiam mais obra, mais ambição e maior capacidade de concretização. Hoje, confrontam-se com taxas de execução baixíssimas e com os maiores saldos acumulados de que há memória.
Pouco importa Oliveira de Azeméis ter orçamentos de grande dimensão ou anúncios de grandes investimentos. A verdadeira avaliação faz-se pelos resultados alcançados. Um concelho não progride porque aprova mais milhões em orçamento, progride porque consegue transformar esses recursos em obras, e porque consegue prestar melhores serviços e melhores condições de vida para a população.
O principal problema de Oliveira de Azeméis não é a falta de recursos financeiros. O problema tem sido a incapacidade do executivo camarário de transformar os meios disponíveis em progresso.
* Economista, natural de Pindelo
“Elaborar orçamentos é relativamente simples; concretizá-los é o verdadeiro desadio”