5 Jun 2026
Susana Marques acredita que a roupa pode ser uma ferramenta de autoestima, confiança e bem-estar, ajudando muitas mulheres a enfrentar novas etapas da vida.
Casa caracas> Há sempre música, um cheirinho agradável, conversa e tempo para ouvir quem entra
A roupa é terapia. Dar cor quando falta energia, devolver segurança quando a autoestima vacila e ajudar uma mulher a reconhecer-se ao espelho. É nesta dimensão da beleza como bem-estar que Susana Marques, da Casa Caracas, diz trabalhar todos os dias.
“Nos dias em que não estou no meu melhor, são aqueles em que mais me vou colorir.” A frase resume a forma como olha para a roupa: não como simples peça de vestir, mas como instrumento de autoestima, confiança e bem-estar.
Na Casa Caracas, onde trabalha desde 1996, Susana Marques defende que vestir bem não é seguir uma tendência nem escolher apenas uma roupa para uma ocasião. É perceber quem está do outro lado, ouvir, observar e encontrar a peça que faz a pessoa sentir-se melhor consigo própria.
A agora empresária entrou na loja para trabalhar no escritório, área para a qual tinha formação em administração e contabilidade. Mas rapidamente percebeu que o contacto com as pessoas era o que mais a realizava. “Gostava de ouvir as pessoas, de as ver bonitas”, recorda.
Esse olhar continua a marcar a forma como atende cada cliente. Antes de sugerir uma peça, procura perceber a personalidade, o estilo de vida e até o momento que a pessoa está a atravessar. Por isso, nem sempre a escolha inicial é a que acaba por prevalecer.
“Sou incapaz de mostrar uma peça a uma pessoa que eu acho que não é o estilo da pessoa”, afirma. Muitas vezes, conta, as clientes chegam com uma ideia muito definida do que procuram. Outras entram sem saber exatamente o que querem. Nesses casos, encontra uma oportunidade para ajudar a descobrir novas possibilidades.
Mais do que aparência
Para Susana Marques, a roupa comunica para o exterior, mas também influencia a forma como cada pessoa se sente.
“Transmite autoridade, transmite segurança, transmite respeito”, diz, apontando o exemplo de profissões onde a imagem tem peso acrescido. Mas acredita que o efeito mais importante acontece na relação que cada um estabelece consigo próprio.
A cor, por exemplo, tem um papel especial. “Dá-nos energia. Dá-nos vida”, afirma. Por isso, nos dias mais difíceis, opta precisamente por peças mais coloridas, numa tentativa consciente de contrariar o cansaço ou o desânimo.
Ao longo dos anos, viu passar pela loja mulheres em diferentes fases da vida: novos empregos, casamentos, divórcios, lutos, recomeços ou simples mudanças de ciclo. E acredita que a roupa pode ter um papel importante nesses momentos.
“A roupa é aquela peça que muitas vezes as traz cá para cima novamente. É quase uma terapia”, resume.
Uma loja para estar bem
A Casa Caracas continua a vestir ocasiões especiais, mas hoje acompanha também o quotidiano de uma mulher que procura conforto sem abdicar da elegância.
Segundo Susana Marques, a própria moda evoluiu nesse sentido. Os tecidos tornaram-se mais leves, os cortes mais fluidos e as peças mais fáceis de usar, refletindo um estilo de vida cada vez mais exigente.
O ambiente da loja vai além da roupa. Há música, um cheirinho agradável, conversa e tempo para ouvir quem entra. Algumas clientes passam para comprar. Outras aparecem apenas para conversar ou tomar um café.
“Não vendemos só roupa. Fazemos parte da vida das pessoas”, afirma.
No fundo, é essa relação humana que continua a dar sentido ao trabalho que começou há quase três décadas. Porque, para Susana Marques, o verdadeiro sucesso não está apenas na peça que sai da loja, mas na forma como a pessoa sai depois de a vestir.