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Correio de Azeméis

5 Feb 2026

Afinal o que é o sistema?

Helena Terra Opinião

Helena Terra*

Opinião

“A iliteracia política é enorme e o descontentamento de muitos cidadãos com um conjunto de circunstâncias do nosso dia a dia é grande”

Nos últimos tempos muito temos ouvido falar do sistema. Mas quem dele tanto fala esquece-se, porque não quer, de dizer o que é o sistema. Ora costuma dizer-se que “quem as ouve não tem culpa e quem as diz fica aliviado”. Eu que acho que a sabedoria popular é sábia, acho que neste caso, esta máxima não tem aplicação; e porquê?
    Porque quem o diz e tem repetido não quer ficar aliviado, quer antes intoxicar os menos avisados que o ouvem. Portanto, proponho-me, num exercício simples, dizer o que é o sistema tão alardeado por um dos candidatos presidenciais.
    O sistema, linguisticamente definido é um conjunto organizado de elementos (pessoas, processos, máquinas, ideias) que interagem e são interdependentes, trabalhando juntos para atingir um objetivo comum, formando um todo funcional cuja eficácia é maior do que a soma das partes isoladas. Do ponto de vista político, o sistema de que fala o dito candidato é a história dos últimos 51 anos em Portugal. A história do nosso país depois de 1974 e com a qual ele quer acabar, não se bastando para tanto com um Salazar e dizendo que são precisos três. 
    Em 1974 a taxa de mortalidade infantil era uma brutalidade, 38 mortos por cada mil nados vivos. O analfabetismo reinante, era de 30% na generalidade sendo que nas mulheres ultrapassava os 60%. A escolaridade obrigatória era de 6 anos. Naquela altura 68% das casas não tinham casa de banho, nem duche, 53% delas não tinha água canalizada e 40% não tinha energia elétrica. A esperança média de vida situava-se nos 68 anos. 
    Depois de 1974, até hoje cresceu o tal sistema. E hoje, a mortalidade infantil é de apenas 3 mortos por cada mil nados vivos. O analfabetismo é de 3% e atinge população idosa. As casas portuguesas são todas abastecidas de energia elétrica e 80% delas são consideradas energeticamente eficientes. As casas portuguesas são dotadas de instalações sanitárias e têm banho e/ou duche. A escolaridade obrigatória é de 12 anos. A Segurança Social com carácter universal e reformas para todos surgiu em Portugal após o 25 de Abril de 1974, consolidando-se na Constituição de 1976 e com a primeira Lei de Bases da Segurança Social em 1984. A revolução transformou o sistema de um modelo corporativista para um pilar do estado social, garantindo proteção a todos os cidadãos. Antes disso, à maioria dos trabalhadores, na velhice e quando já não tinham capacidade de trabalhar, restava a mendicidade.
    Pois bem, podia continuar com um sem fim de exemplos de análise para que se perceba o que é o tal sistema com o qual um candidato presidencial quer acabar, mas o espaço de que disponho é, naturalmente, limitado. Devo, contudo, afirmar que este candidato não diz isto porque é ignorante. Não. Diz isto consciente de que tem ouvintes. A iliteracia política é enorme e o descontentamento de muitos cidadãos com um conjunto de circunstâncias do nosso dia a dia é grande. 
O Sistema não é perfeito e é necessário melhorar. É necessário atrair para o desempenho de funções políticas e para a organização e gestão do bem público os melhores. Mas dito isto, quem quer acabar com o sistema e regressar ao passado, com ou sem 3 Salazares, sabe em quem deve votar. Quem quer melhorar e aperfeiçoar o sistema, também sabe qual a escolha a fazer – votar num Portugal seguro e com futuro.
 * Advogada
 

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