Afirmação de Rio

Helena Terra

No último fim de semana foram as eleições diretas no PSD e daí resultou a escolha do líder do partido. Num duelo entre Rui Rio e Paulo Rangel, os militantes do partido escolheram, novamente, Rui Rio como líder do partido e, por isso, será ele, pelo PSD, o candidato a primeiro ministro nas próximas eleições legislativas de 30 de janeiro. Rui Rio surge como o candidato das bases, enquanto Paulo Rangel surge como um candidato da ala mais intelectual do PSD.

Paulo Rangel disputou a liderança do partido pela segunda vez. Em 2010 foi opositor de Aguiar Branco e Pedro Passos Coelho e, também aí, perdeu eleições. Rui Rio foi a eleições pela terceira vez e, tal como nas duas eleições anteriores, voltou a ganhar eleições.
Paulo Rangel, provavelmente, jamais será líder do PSD, enquanto isso, Rui Rio é a personificação do conceito de resiliência. Rangel uma voz mais extremada que a de Rui Rio, a fazer lembrar os tempos da Troika. Rui Rio mais próximo do centro e de uma convergência cuja necessidade parece ser por demais evidente, para que o país possa, finalmente, fazer as reformas há demasiado tempo adiadas.
Rui Rio vence as eleições em dez das distritais do país e, sobretudo, colhe os votos dos militantes anónimos, ditos de base e assim dá, provavelmente, a última machadada no que sobra do “Passismo”. Por Passos Coelho, ainda há quem suspire e sonhe com o seu regresso, mas aqueles que foram os principais protagonistas do XIX Governo Constitucional vão saindo da boca da cena político partidária, exceção feita a Carlos Moedas.
Os partidos à esquerda do PS, apresentar-se-ão cada vez mais extremistas para manter os seus nichos de eleitorado. O CDS tentará colar-se o mais possível ao PSD numa possível coligação pré-eleitoral para tentar sobreviver. O CHEGA, sendo como é um partido de protesto e antissistema, nas próximas eleições sofrerá o desgaste eleitoral resultante do voto útil porque o povo não quererá arriscar mais uma crise política nos próximos tempos e, por via disso, os votos dos partidos tradicionais de direita que, temporariamente, foram engrossar o partido de André Ventura, regressarão ao seu universo eleitoral de base, aumentando a votação no PSD.
Dificilmente, nas próximas eleições, haverá maioria de um só partido e, por certo, serão o PS e o PSD os partidos mais votados que terão que entender-se para governar o país. Isto, a acontecer, não seria inédito na Europa. O Governo da Irlanda do Norte, saído das últimas eleições, é um governo de Unidade dos dois maiores partidos que, até então, tinham alternado no poder a que se juntaram os verdes.
À esquerda, os partidos farão campanha ameaçando com os males insondáveis de um bloco central e, à direita, ameaçar-se-á com o desvio à esquerda do PSD, nada que possa causar grande surpresa – são as lógicas partidárias a funcionar.
O momento com que o país se confronta necessita de responsabilidade política democrática. Vamos continuar a viver uma situação endémica, senão pandémica, precisamos de pôr a economia a crescer, precisamos de reformas em área estruturais da nossa experiência coletiva e isso dificilmente se conseguirá sem o compromisso dos dois maiores partidos no mesmo projeto de governo e de repartição de poder.
* advogada
 

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