Ano Novo

Helena Terra Opinião

Helena Terra*

Opinião, Helena Terra

“ Precisamos de um Ano Novo com mais ação da classe política e menos vozearia”

O começo de um novo ano é a oportunidade para renovar a esperança, fazer ou refazer projetos e assumir novos desafios.
O ano de 2025 acaba com números que têm de nos interpelar a fazer diferente.
A sinistralidade automóvel aumentou e, embora tenha diminuído o número de mortos, aumentou o número de feridos ligeiros e graves. 
O número de homicídios registado no último ano foi o maior dos últimos 7 anos.  No ano que agora acabou, Portugal registou um aumento preocupante da violência doméstica, com mais de 25 mil ocorrências relatadas às polícias, o valor mais alto dos últimos 7 anos, e mais de 1400 vítimas acolhidas no primeiro trimestre, com 24 mulheres assassinadas até novembro, destacando a gravidade persistente do problema, especialmente contra idosos e mulheres. 
Em 2025, as mortes por suicídio subiram de 952 para 984. Em Portugal, estima-se que se suicidam pelo menos três pessoas por dia, sendo esta a segunda causa de morte nos jovens entre os 15 e 34 anos em todo o mundo. Neste aspeto há a notar que 50% da população entre os 18 e os 64 anos regista níveis elevados de stress, sendo que, destes 55% são mulheres, comparando com 44% dos homens. Esta diferença de 11 pontos percentuais reflete a acumulação de responsabilidades profissionais, familiares e domésticas que ainda recai predominantemente sobre as mulheres portuguesas.
No ano findo, Portugal registou um aumento significativo de partos em ambulâncias, ultrapassando os números dos anos anteriores. Até final do ano, o número de partos em ambulâncias foi superior a 60, impulsionados por situações de encerramento de urgências, como tem vindo a acontecer, sucessivamente, na Margem Sul, que leva a que as parturientes tenham de percorrer muito longas distâncias (sobretudo em distância tempo) e que os partos ocorram em trânsito.
Estes são exemplos que merecem a reflexão de todos e que nos levam a querer um novo ano diferente.
Não quero um novo ano no qual um doente oncológico internado para fazer cirurgia a dois tumores cerebrais tenha visto a mesma cirurgia adiada 4 vezes no último mês.
Não quero que, este ano, um doente oncológico em fase terminal espere 14 horas nas urgências de um hospital, com falta de ar, para ser visto por um médico.
Não quero que o ano que agora começa tenha, num fim de semana (à semelhança do que aconteceu no último fim de semana) 9 urgências de ginecologia e obstetrícia encerradas, sendo 8 delas para baixo do Mondego.
Não quero, mais um ano, em que um administrador hospitalar venha justificar tempos de espera nas urgências, próprios do terceiro mundo, com o pico da gripe e férias de profissionais de saúde como causas concorrentes.
Precisamos de um Ano Novo com mais ação da classe política e menos vozearia.

 * Advogada
 

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