29 Jan 2026
Cristina Oliveira tem a missão de enfeitar o altar do Santíssimo na Igreja de Ul
>Devoção e legado
Para a professora de música Cristina Oliveira, a ligação às Festas de São Brás e da Senhora das Candeias é uma partitura escrita por várias mãos ao longo de décadas.
No seu testemunho, a festa deixa de ser um evento externo para passar a ser um compromisso íntimo e familiar.
Cristina descreve uma infância marcada pela expectativa das vestes novas e pelo fascínio das "panelinhas" — as tendas de rifas que eram o deleite das crianças de outrora. Mas o coração do seu relato reside na herança do serviço à comunidade: o ato de enfeitar os altares não é apenas uma tarefa estética, mas uma forma de oração e terapia.
Através das histórias das suas tias e da sua mãe, Cristina mostra como as mulheres de Ul foram as guardiãs silenciosas da beleza da Igreja, perpetuando rituais que hoje ensina à própria filha. É este fio invisível de fé, que une o pagamento das promessas ao Mártir São Sebastião com a dedicação ao canto litúrgico, que garante que a alma de Ul permanece intacta, mesmo perante as distrações do mundo moderno.
Herança familiar
"A minha tia enfeitou o altar do Santíssimo durante 62 anos. Quando ela deixou de poder, continuou a minha mãe e agora continuo eu. É a terceira geração a fazer isto com muito gosto; é a minha terapia ao fim de semana."
O andor do Mártir
"A minha mãe era muito devota do Mártir São Sebastião e enfeitava sempre o seu andor para a procissão. Ela faleceu há pouco tempo e eu, como tradição, continuo esse legado. A minha filha diz que quer continuar e pagamos as duas o enfeite; enquanto ele sair à rua, vamos ser nós a pagar."
Fé e visibilidade
"Ul sempre teve uma visibilidade acima da média por causa do pão e das regueifas. As pessoas vinham fazer as promessas e levavam o pão. A espiritualidade e a fé estão a perder-se hoje, mas eu sinto que o tempo que dou à Igreja nunca me fez falta."