22 Jan 2024
Ricardo Bastos *
As pessoas que, como eu, já não são novas mas também estão muito longe de serem velhas, estão numa fase fabulosa das nossas vidas. Neste período das nossas vidas o que nos faz felizes são coisas muito simples. São coisas como a luz do dia, sorrisos das pessoas, abraços sinceros, beber um copo com amigos com imensas gargalhadas… No meu caso, uma corrida ou outra já com critérios mais apertados e seleccionadas a dedo.
No dia do primeiro aniversário da minha neta dei comigo a olhar para ela enquanto sorria com a boca toda e sem dentes… Pensei que não me importaria de morrer naquele mo-mento. Tinha atingido a plenitude da felicidade e realização. Mas logo de seguida pensei melhor… e não. Afinal ainda não me apetece ir já. Quero usufruir deste privilégio que é ser avô. Estou constantemente a dizer que é muito melhor ser avô que pai. Muito mesmo.
Ser avô é ficar só com a melhor parte, ser avô é um privilégio a que todo o homem e mulher deve ter direito. Se vivêssemos num mundo perfeito, Deus não deveria permitir que nenhum homem ou mulher, que tiveram filhos, não fizessem a experiência de serem avós.
Nós somos aqueles que apesar de sabermos todas as respostas não nos cansamos de fazer as mesmas perguntas aos netos. Nós, apesar de sabermos tudo, lançamos imensas dúvidas aos netos para que eles se desenrasquem. E o prazer que isso nos dá. Queremos e precisamos de lançar essas dúvidas e confusões, pois o crescimento e evolução dos netos é visto na maneira como eles ultrapassam cada obstáculo colocado. Ser avô é a melhor sensação do mundo. Aos pais pedimos que nos entreguem os netos pois eles acrescentam-nos vida e anos... Não quero mais anos de vida mas sim mais vida aos anos. Os netos são essa vida de que precisamos. E os netos gostam tanto que os avós sejam os seus maiores admiradores e advogados de defesa.
A todos os avós, o pedido é simples: vivam cada momento como momentos únicos, como vida em pedaços que nos é oferecida.
Vivam os avós e os pais que os deixam exercer essa missão.