17 Sep 2026
> Eduardo Costa
Conduzir aos 100 (Anos!)
A questão coloca-se com pertinência: vemos cidadãos acima da respeitável idade, alguns próximos do centenário, a conduzir automóvel, como se estivessem na flor da idade. Num momento de crise na condução o corpo vai responder para evitar um acidente ou algo pior?
A capacidade de condução é avaliada pelo estado de saúde e pela aptidão física e mental do condutor, e não pela idade. A partir dos 70 anos a revalidação passa a ser obrigatória de 2 em 2 anos. Exigindo sempre atestado médico que comprove a aptidão.
Conheci um ‘jovem’ condutor acima dos 90 anos, a ‘vender’ saúde, e questionei como conseguia atestado médico para a renovação da carta de condução. A resposta foi muito engraçada: “escolho um médico próximo da minha idade!”.
Conheci outro exemplo de cidadão acima dos 90 com habilitação válida e renovada no início do corrente ano. Portanto, válida até 2028. Entretanto o cidadão teve um acidente doméstico grave e deixou de ter as capacidades mínimas para conduzir com segurança. Para o próprio e para quem com ele se cruza. Um preocupado familiar dizia-lhe, tentando convencer a não usar o automóvel: “se uma criança aparece sem prever acha que tem reflexos para parar o carro a tempo?” O homem, pensou, meditou, mas não deu sinais de assumir o conselho.
E não há nada que um familiar conhecedor da nova limitação possa fazer… Claro que sempre pode recorrer a algumas drásticas soluções legais. Mas a relação familiar com o idoso é as mais das vezes impeditivo.
* Jornalista, presidente da Ass. Nac. da Imprensa Regional (Esta crónica é publicada por cerca de 50 jornais)