3 Jun 2026
Associações, bandas, grupos culturais e novas dinâmicas locais transformaram o centro da cidade num retrato vivo das freguesias do concelho
Associações e freguesias
Nem todas as associações chegaram ao Mercado à Moda Antiga com a mesma missão. Umas levaram música, outras património, festas religiosas, dança, gastronomia, cultura popular ou simples vontade de reforçar contas. Em comum, trouxeram uma parte da identidade das freguesias para o centro da cidade
A ACESMA, de Carregosa, fez do Mercado uma oportunidade importante para apoiar a atividade associativa. Adelino Bastos sublinhou que muitos visitantes percebem que, ao consumir nas barraquinhas, estão a ajudar causas locais, seja através de uma refeição, de um troco deixado para a associação ou da presença junto das coletividades.
De Nogueira do Cravo, o Grupo de Danças e Cantares viveu a primeira participação com logística própria. Paula Azevedo assumiu o cansaço, mas também a importância de eventos que ajudam associações a continuar, sobretudo quando o ano se faz de janeiras, feirinhas e muito trabalho voluntário.
As bandas deram outra expressão ao mesmo esforço. A Banda de Música de Santiago de Riba-Ul destacou a forte afluência e a fidelidade de visitantes que regressam pela experiência gastronómica. A Banda de Música de Loureiro, presença de muitos anos no certame, voltou a mostrar que há clientes habituais que procuram a mesma mesa e os mesmos sabores de edição para edição.
Em Ul, a AFUL aproveitou a presença para angariar fundos para as festas em honra de Nossa Senhora das Candeias e S. Brás, enquanto o Grupo Folclórico As Padeirinhas de Ul levou o público ao bailarico, tentando puxar visitantes para a roda e para uma participação mais ativa na festa.
De Madaíl, a Associação D. Urraca Moreira trouxe uma nota patrimonial, ao recordar os pucareiros de Ossela e Castelões e a tradição do barro negro, ainda pouco conhecida por muitos oliveirenses. Já o Museu Regional de Cucujães juntou presença histórica e componente cultural, com concertinas, bombos e gigantones.
A Associação das Festas em Honra de Nossa Senhora de La Salette reforçou a ligação entre o Mercado, a angariação de fundos e a preparação de uma das maiores festas religiosas do concelho. Também houve espaço para novas dinâmicas: a Associação Brilho de Cerejas apresentou cerejas, perna de vitela e sopa da pedra, procurando afirmar uma marca própria no conjunto da oferta do Mercado.
Ajudar uma causa
“As pessoas que cá vêm têm de ter a noção de que vêm ajudar as associações. Muitas vezes deixam o troco e dizem: ‘fica assim’. Sentem que isto é movimento associativo.”
Adelino Bastos, ACESMA.
Não se pode deixar acabar
“Foi a primeira vez que participámos com logística própria. É custoso, mas recompensador. Estas oportunidades ajudam as associações, porque é muito complicado e não se pode deixar acabar.”
Paula Azevedo, Grupo de Danças e Cantares de Nog. do Cravo.
Procura de fora
“Temos pessoas de Valongo, de Matosinhos e muitas pessoas que nos procuram. Já têm uma ideia da nossa mesa, da nossa cozinha, de anos anteriores, e repetem a visita porque ficaram agradadas.”
Ana Júlia Pinto, Banda de Música de Santiago de Riba-Ul.
Clientes fiéis
“À sexta-feira, ainda estamos nas montagens e já há pessoas a perguntar se temos isto ou aquilo e a dizer que vêm no sábado. Já temos clientes fiéis. Vimos cá há muitos anos, seguramente há uns 20.”
Adélia Teorgas, Banda de Música de Loureiro.
Fundos para as festas
"Estamos aqui para angariar fundos para as nossas festas em honra de Nossa Senhora das Candeias e S. Brás. Foi um fim de semana muito bom, produtivo, de amizade e camaradagem."
Ricardo Choupeiro, AFUL.
Puxar o público para a roda
“Isto é para as pessoas interagirem com o grupo e darem um passinho de dança. É uma forma de conviverem com os grupos, como era antigamente, e pode até despertar pessoas para começarem a gostar de dançar.”
António Peixoto, Grupo Folclórico As Padeirinhas de Ul.
Património esquecido
“Quisemos relembrar a arte dos pucareiros e do barro negro que existiu em Ossela e Castelões. Muitas pessoas de Oliveira de Azeméis não conhecem essa tradição e achámos interessante dá-la a conhecer."
André Santos, Associação D. Urraca Moreira.
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Um retrato vivo do concelho
Em Pindelo, várias entidades apareceram juntas, dando imagem de freguesia unida. No conjunto, estas presenças mostraram que o Mercado não se limita a recriar o passado: todos os anos volta a organizar, no coração da cidade, um retrato vivo do concelho.