8 Oct 2026
O antigo Colégio, ligado à história educativa de Oliveira de Azeméis, acolherá a futura Casa da Filarmonia, um projeto cuja definição concreta continua por ser conhecida.
A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis adquiriu por 800 mil euros o edifício do antigo Colégio, nove meses depois de a compra ter sido aprovada em reunião de Câmara, ainda sem estar definido o programa funcional da futura Casa da Filarmonia.
A proposta foi aprovada em janeiro com os votos favoráveis da maioria socialista, enquanto a AD e CHEGA se abstiveram. Na discussão, os vereadores da coligação questionaram a finalidade concreta do investimento, os custos da necessária reabilitação e a falta de auscultação das seis bandas filarmónicas do concelho.
O município confirmou agora a conclusão do negócio e anuncia que o imóvel, na Rua António Alegria, será destinado à Casa da Filarmonia. No comunicado, a Câmara apresenta o equipamento como um espaço de valorização da música, da atividade filarmónica, do associativismo e da participação cultural, mas não avança calendário, intervenções previstas, investimento adicional ou modelo de utilização.
Joaquim Jorge sustenta que a aquisição permite salvaguardar um edifício com valor patrimonial e identitário, atribuindo-lhe uma nova função na cidade. “Estamos a devolver a este espaço uma nova função e uma nova centralidade na vida da comunidade, valorizando o seu significado histórico e criando condições para que continue a ser um lugar de encontro, cultura e identidade”, afirma o presidente da Câmara.
A concretização da compra surge também depois de o Correio de Azeméis ter ouvido as seis bandas do concelho, cujos responsáveis afirmaram não ter sido previamente consultados sobre o negócio nem conhecerem o projeto de utilização do espaço.
Numa publicação recente, João Costa, vereador da AD, reiterou a posição crítica que assumiu na reunião de Câmara. “Não fui a favor disto, por interpretar que não é este o propósito de uma banda filarmónica”, escreve, defendendo que o apoio às coletividades deve privilegiar “atividades reais e diferenciadas”, formação contínua e iniciativas junto das populações.
O vereador considera que “o futuro não se pode resumir a paredes e a uma sede sem ideias nem propósito”, contrapondo a aquisição do edifício ao investimento direto no movimento filarmónico. “Mas a favor do associativismo e do futuro das nossas instituições? Disso, nunca deixarei de o ser”, acrescenta.