28 Nov 2025
Teresa Bernardino
>Indústria metalomecânica reforça aposta na qualificação
Com quase quatro décadas de atividade, o CENFIM de Oliveira de Azeméis continua a afirmar-se como um pilar na qualificação da mão de obra industrial, respondendo à escassez de técnicos qualificados e às exigências crescentes da digitalização no setor metalomecânico.
Inserido numa das regiões mais industriais do país, o Núcleo do CENFIM de Oliveira de Azeméis tem sido, ao longo dos seus 38 anos de atividade, uma peça central na qualificação dos profissionais dos setores da metalurgia, metalomecânica e eletromecânica. Segundo Teresa Bernardino, diretora do Núcleo do CENFIM de Oliveira de Azeméis, e Américo Costa, técnico de formação do CENFIM, em média passam anualmente pelo centro cerca de mil formandos nas diversas modalidades de formação, revelando o impacto profundo que esta instituição tem tido no reforço das competências técnicas da mão de obra local e dos concelhos vizinhos.
De acordo com aqueles responsáveis, a procura das empresas continua a concentrar-se em áreas essenciais para a cadeia de produção moderna: desenho técnico, CAD/CAM, modelação 3D, CNC, construções mecânicas, manutenção industrial, mecatrónica e soldadura. A direção do centro destaca que estas áreas têm sofrido transformações aceleradas devido à digitalização crescente do setor, obrigando os profissionais a dominar ferramentas digitais, sistemas integrados, programação de máquinas e metodologias de fabrico avançado. A evolução tecnológica não tem apenas alterado processos — tem redefinido as competências necessárias para assegurar competitividade num contexto industrial cada vez mais exigente.
Um dos maiores desafios atuais é a escassez de técnicos qualificados, realidade que o CENFIM sente de forma evidente. A diminuição do número de candidatos e a forte concorrência de outros setores na captação de jovens agravam a dificuldade das empresas em recrutar. O centro sublinha, contudo, que uma formação robusta pode ser o ponto de partida para um ciclo virtuoso: trabalhadores melhor qualificados geram maior produtividade, o que permite às empresas oferecer melhores salários e, assim, tornar o setor mais atrativo para as novas gerações.
Face à rápida evolução tecnológica, muitas empresas têm perdido referências claras sobre quais competências devem definir cada profissão. O CENFIM, dizem Teresa Bernardino e Américo considera essencial atualizar o catálogo de perfis profissionais, identificando de forma rigorosa as competências técnicas, digitais e transversais necessárias à indústria 4.0. Softwares de projeto e simulação, estratégias CAM, tolerâncias geométricas e dimensionais, sistemas de inspeção avançados e interoperabilidade CAD/CAM/CAE/Metrologia são hoje elementos centrais do processo produtivo. O modelo digital deixou de ser apenas uma etapa preparatória: tornou-se o núcleo da produção, agregando toda a informação necessária à qualidade e repetibilidade.
A formação contínua assume um papel cada vez mais relevante, sobretudo nas áreas de automação industrial, manutenção, fabrico e montagem. O aumento da procura de cursos à medida, desenvolvidos diretamente com empresas, comprova a necessidade de atualização permanente dos profissionais num setor que evolui em ritmo acelerado.
A relação de proximidade com as empresas é apontada como um dos pilares do sucesso do centro. Projetos com universidades, politécnicos e iniciativas internacionais, como Erasmus+, reforçam a articulação entre conhecimento técnico e necessidades reais da indústria.
Com a inteligência artificial a ganhar terreno e a indústria 4.0 a consolidar-se, o CENFIM projeta continuar como parceiro estratégico das empresas e como motor da modernização tecnológica da região, mantendo o compromisso de “fazer a indústria acontecer”.
Américo Costa