Chamam-lhe flexibilidade. Nós chamamos exploração.

Bloco de Esquerda

> Sara Costa (BE)

Chamam-lhe modernização laboral. Em Oliveira de Azeméis sabemos reconhecer exploração quando a vemos.
Este novo pacote laboral é mais um passo num modelo económico que vive à custa do desgaste de quem trabalha. Mais horários desregulados, mais pressão, mais precariedade, mais facilidade em despedir, menos estabilidade para quem já vive permanentemente cansado. Sempre a mesma receita. Sempre os mesmos a pagar.
Num concelho industrial como o nosso, isto não é teoria política. É vida concreta. É gente que sai de casa antes do nascer do sol, passa o dia inteiro em fábricas, armazéns ou linhas de produção e regressa sem tempo, sem energia e muitas vezes sem dinheiro suficiente para viver com tranquilidade. Há trabalhadores em Oliveira de Azeméis que produzem riqueza para empresas exportadoras e continuam sem conseguir pagar uma casa aos filhos.
E ainda têm a coragem de chamar privilégio aos direitos laborais.
O problema de Portugal nunca foi falta de trabalho. O país está cheio de gente exausta. O problema é outro. Trabalha-se demasiado para ganhar demasiado pouco. Trabalha-se demasiado para continuar preso à precariedade. Trabalha-se demasiado para chegar ao fim do mês com medo.
Enquanto isso, acumulam-se lucros milionários e distribuem-se dividendos. Aos trabalhadores pedem sacrifício. Aos grandes grupos económicos oferecem benefícios fiscais, favores e discursos sobre competitividade. Competitividade, em Portugal, continua demasiadas vezes a significar salários baixos e vidas baratas.
Depois admiram-se da revolta social, do desencanto político e da raiva que cresce por todo o lado. Como não haveria de crescer? Um país onde trabalhar deixou de garantir dignidade é um país profundamente doente.
Oliveira de Azeméis sabe o valor do trabalho porque foi construída por trabalhadores. Por isso mesmo, não pode aceitar que nos vendam retrocesso como se fosse progresso. Quem trabalha merece estabilidade, salários dignos, tempo para viver e respeito. O resto é propaganda patronal embrulhada em linguagem moderna.

* Dirigente Concelhia do BE de Oliveira de Azeméis  

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