16 Jan 2026
Álvaro Beleza
>Álvaro Beleza na Biblioteca para o ‘À Conversa Com…’
Rotary Club de Oliveira de Azeméis retomou o seu ciclo de conversas e o primeiro convidado foi o presidente da SEDES, Álvaro Beleza.
À conversa com João Rebelo Martins sobre “a política e a economia como fator de desenvolvimento social”, o médico e político, após uma introdução sobre o aparecimento e o papel da SEDES no panorama nacional, referiu as grandes reformas que o estado necessita, para Portugal se transformar na “Dinamarca do sul da Europa”.
A justiça, terceiro pilar do estado será a mais urgente, seguindo-se uma reforma fiscal, simplificando o actual sistema e uma reforma eleitoral, com círculos uninominais e a criação de um senado.
Beleza referiu que o país é assimétrico, desequilibrado, tendo o governo um poder excessivo em tomadas de decisão que poderiam ser meros processos administrativos. Para equilibrar esse poder e tornar o país mais competitivo, com mais ambição e energia, a regionalização deveria acontecer, podendo, por exemplo, a eleição das CCDR ser por sufrágio universal.
Uma plateia atenta e curiosa questionou o presidente da SEDES acerca do porquê da falta de reformas, do papel das ordens profissionais e o futuro de Portugal.
A próxima conversa do Rotary Club será a 11 de Fevereiro, com Renato Daniel, sobre "associativismo e políticas públicas”
"Se nós tivéssemos uma reforma fiscal, se descentralizássemos o poder e se tivéssemos melhor saúde, isto era a Dinamarca do Sul. Nós temos condições para ser médio-meio da Europa, para ser um dos países mais ricos na Europa, com salários mais altos”.
"Propomos impostos mais simples, menor carga fiscal. Temos os sistemas mais complexos da OCDE e uma carga fiscal brutal. O IRC em Portugal é progressivo, o que é uma coisa economicamente estúpida. Nós precisamos de escala e não criamos escala. É preciso fazer uma reforma fiscal. Não é só baixar o IRC. É simplificar porque isso é mais justo e ético."
"O país precisa de uma reforma eleitoral que aproxime os cidadãos, os eleitos dos eleitores. Propomos círculos uninominais para deputados, como há na Alemanha. Ou mudamos o sistema eleitoral ou criamos uma Câmara Alta de círculos uninominais, um Senado, para equilibrar o país. Sem mudarmos as regras do funcionamento da eleição, nós não vamos conseguir mudar nada. "
"O primeiro-ministro português tem um excesso de poder concentrado. Chegou a altura de descentralizarmos o poder executivo. Eu quero é que os senhores que estão na CCDR sejam eleitos pelo povo da região. Sem descentralização de poder executivo o país não vai equilibrar.”
"Falta muito a Portugal fazer planeamento estratégico, pois hoje vivemos no dia-a-dia. Propomos duplicar o PIB em 20 anos, porque sem economia não há nada para distribuir, só há pobreza. Para sermos a Dinamarca do Sul, precisamos de creches gratuitas e universais para garantir o ascensor social. A Dinamarca fez isto há cem anos e é por aí que Portugal tem de começar a sua reforma."