"Contabilidade criativa" ou "investimento histórico"?

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O saneamento contininua a ser prioridade no Orçamento para 2026

>Oposição critica Orçamento de 73,2 Milhões viabilizado pela maioria socialista

Toda a oposição (AD e Chega) votou contra, alertando para o aumento da despesa corrente e da dívida bancária, mas a maioria na câmara de Oliveira de Azeméis aprovou o Orçamento para 2026, focado na habitação e saneamento. Plano Plurianual de Investimentos contempla 33,5 milhões de euros.

O executivo socialista de Joaquim Jorge Ferreira viabilizou, esta terça-feira, um Orçamento Municipal de 73,2 milhões de euros para 2026, com os votos contra de toda a oposição. O documento, que o presidente da câmara define como um instrumento de reforço da coesão social e resolução de problemas históricos, foi duramente criticado pela AD e pelo Chega, que apontam para um descontrolo das contas públicas.
No centro da estratégia do PS está um Plano Plurianual de Investimentos de 33,5 milhões de euros. As prioridades? 8,5 milhões para habitação e apoio social, a conclusão da expansão do saneamento (uma meta para 2030), a nova Unidade de Saúde de Entre-Margens e a requalificação de zonas industriais. Joaquim Jorge Ferreira não hesitou em classificar a aposta na habitação como "um investimento sem paralelo na história do concelho",  rejeitando as críticas de falta de rigor e afirmando: "Não somos vendedores de facilidades (...) temos os pés bem assentes na terra", defendeu Joaquim Jorge Ferreira, rejeitando as críticas de falta de rigor.

Oposição ataca "dívidagalopante"
Do lado da oposição, o tom foi severo. Pedro Marques (AD) acusou o executivo de apresentar uma "contabilidade criativa" e alertou para o serviço da dívida: "Os encargos bancários aumentam 176%, passando de 250 mil para 710 mil euros", sublinhou o vereador social-democrata. Para a AD, o orçamento revela um município "financeiramente pressionado", onde a despesa com pessoal dispara 15% (atingindo 17,5 milhões) sem que isso se traduza em melhores serviços.
Manuel Almeida, do Chega, alinhou pela mesma bitola, classificando o documento como promotor de "maior dependência do Estado" e "total ausência de reformas estruturais". O vereador criticou a repetição de obras em sucessivos orçamentos que tardam em sair do papel, como a Área Empresarial de Loureiro ou as da nova centralidade.
Na resposta, o presidente garantiu que a dívida está "completamente controlada" e que o recurso à banca foi essencial para obras estruturantes, ironizando com as críticas: "São a favor da resolução do saneamento (...) e estão à espera que os encargos bancários não aumentem?".

 

>Onde vão ser gastos os 33,5 Milhões?
Top 10 dos investimentos previstos para 2026

Do bolo total de 73,2 milhões de euros, a fatia destinada a "obra feita" e aquisição de bens de capital (PPI) é de 33,5 milhões. O presidente da câmara destacou que este valor representa um aumento de 11% face ao ano anterior, focando-se na saúde, habitação e infraestruturas básicas.
Eis as obras com maior dotação orçamental para 2026:
Unidade de Saúde de Entre-Margens (Pinheiro da Bemposta): € 2,1 Milhões de Euros.; Conclusão do Parque Urbano: € 1,9 Milhões, Habitação Social (Novos Fogos): € 1,8 Milhões; Posto da GNR de Cesar: € 1,4 Milhões,  Nova Centralidade (Mercado e Centro de Transportes): € 1,3 Milhões;  Oficina de Artes (Antiga Garagem Justino): € 1,3 Milhões de Euros;  Zona Industrial do Nordeste: € 1 Milhão; Redes de Água e Saneamento: várias verbas a rondar € 1 milhão de euros para freguesias como São Martinho da Gândara, Loureiro, Carregosa e Pindelo;  Mobilidade (Rua António Bernardo): € 731 mil;  Centro Interpretativo do Vidro: € 560 mil. 

 

>As Contas da "máquina":  € 33,5 milhões são para obras.  para onde vai o resto do dinheiro?
Salários e serviços absorvem metade do orçamento

Enquanto o Plano de Investimentos (PPI) paga a obra nova, a Despesa Corrente paga o funcionamento diário da autarquia. Dos 73,2 milhões de euros totais, cerca de 39,7 milhões são "imobilizados" para pagar salários, luz, limpeza, subsídios e dívida bancária. O presidente da câmara destacou o peso dos Recursos Humanos, que aumentam 15% devido à abertura de novos equipamentos (como a Oficina de Artes), e a fatura dos juros bancários, que dispara. Eis as principais despesas de funcionamento para 2026:
Salários (Despesas com Pessoal): 17,5 Milhões de Euros; Aquisição de Bens e Serviços (Luz, Água, Limpeza, etc.): 13,5 Milhões de Euros;  Transferências Correntes (Subsídios a Instituições): € 4,3 Milhões ; Transferências para as Juntas de Freguesia: € 2,4 Milhões  (incluído nas transferências);  Transferências de Capital (Verbas para investimento de terceiros): € 2 Milhões;  Juros e Encargos Bancários: € 710 mil;  apoio ao Associativismo Desportivo: € 350 Mil  (Contratos-Programa); Amortização de Empréstimos (Pagamento de Dívida): € 190 Mil,  Bolsas de Estudo (Ensino Superior): € 120 Mil  (Parte suportada pelo Município); e Suplemento de Penosidade e Insalubridade: € 40 Mil. 

 

>Travessa António Bernardo
Moradores "presos" na lama exigem solução para obra parada
O debate sobre as grandes opções do plano ganhou um rosto quando uma moradora da Travessa António Bernardo (junto ao Parque Urbano) tomou a palavra para denunciar o "estado lastimável" da sua rua. Trata-se de uma via sem saída onde decorre uma intervenção de saneamento e águas pluviais — uma obra orçada em 731.500 euros no plano para 2026 — mas cujos trabalhos pararam há cerca de um mês.

"Valas abertas e acesso difícil" 
O morador explicou que o paralelo foi levantado para a passagem das condutas, mas a reposição do pavimento não aconteceu. Com as chuvas, a rua transformou-se num lamaçal com valas abertas, dificultando o acesso à "dúzia de casas" ali existentes.

Chuva trava asfalto
O executivo explicou que a obra exigiu uma negociação complexa com um privado, já concluída. O problema atual é técnico: a empresa coloca as tubagens, mas a pavimentação é responsabilidade da Câmara. "Não é possível asfaltar neste momento, o trabalho não fica em condições" devido à chuva e à necessidade de compactar o solo, justificou o Presidente. Ainda assim, Joaquim Jorge Ferreira prometeu uma intervenção de emergência para compactar a terra e atenuar os buracos, garantindo a circulação até que o tempo permita a pavimentação definitiva.

 

>Estalagem de São Miguel
Investidores fogem e solução adia-se para 2026

O futuro da Estalagem de São Miguel continua incerto. Pedro Marques (AD) alertou para o risco de degradação irreversível de um edifício "emblemático", pedindo uma solução urgente para não esperar mais dez anos. Joaquim Jorge Ferreira admitiu a dificuldade. Segundo o autarca, "mais de uma dezena de investidores", incluindo o grupo Meliá, visitaram o local, mas recuaram por considerarem o retorno financeiro em Oliveira de Azeméis menos atrativo do que em grandes centros urbanos. O edifício foi emparedado para evitar vandalismo e a Câmara promete apresentar uma nova solução — provavelmente uma concessão — no primeiro trimestre de 2026.

Propostas do Chega: Videovigilância e IMI para Bombeiros em "banho-maria" 
Manuel Almeida (Chega) lamentou a ausência de votação das propostas do partido. O destaque foi para a instalação de 12 câmaras de videovigilância na cidade, com um custo estimado de 150 mil euros. O presidente da câmara travou a medida, argumentando que a criminalidade no distrito "baixou 4,7%" (incluindo violência doméstica) e que o custo é elevado, embora admita utilidade futura no combate ao vandalismo. Outra bandeira, a isenção de IMI para bombeiros (imóveis até 200 mil euros), ficou suspensa: o executivo tem "muitas dúvidas sobre a legalidade", e pediu um parecer jurídico. A única proposta que o PS admitiu integrar foi o aumento do Vale Educação de 30 para 40 euros.

Bolsas de Estudo duplicam com ajuda das empresas 
Foi aprovada por unanimidade a duplicação das bolsas de estudo para o ensino superior, que passam de 40 para 80 no ano letivo 2025/2026. O investimento total ascende a 136.500 euros, sendo que o presidente destacou o papel do tecido empresarial local, que financia diretamente 11 destas bolsas (num valor de 16.500 euros), agradecendo ainda à Associação de Travanca pelo contributo.

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