29 Jan 2026
Pedro Marques*
Opinião Política
Casa da Filarmonia: propaganda política paga pelos contribuintes
A compra do antigo Colégio/Liceu de Oliveira de Azeméis é um exemplo claro de má decisão política mascarada de boa intenção cultural. Não está em causa o valor do edifício nem a sua localização. Está em causa o facto de o Executivo avançar com um investimento de 800 mil euros sem projeto, sem plano, sem números e sem ouvir quem diz querer apoiar.
A chamada Casa da Filarmonia é, neste momento, apenas um rótulo político. Não existe programa funcional, não existe modelo de gestão, não existe estimativa séria de custos de adaptação ou manutenção, nem existe calendário. O Executivo pede um cheque em branco aos oliveirenses e promete explicar depois. Isto não é governação responsável; é improviso político.
Oliveira de Azeméis tem seis bandas filarmónicas — Banda de Música de Carregosa, Banda de Música de Loureiro, Banda de Música de Pinheiro da Bemposta, Banda de Música de Santiago de Riba-Ul, Banda Musical de Fajões e Sociedade Filarmónica Cucujanense — todas com atividade regular, sedes próprias e dificuldades bem conhecidas. Precisam de instrumentos, formação, manutenção, transporte e fardas, não de um edifício centralizado, indefinido e distante da sua realidade diária. E o mais grave: não foram ouvidas.
Este processo ignora as próprias bandas, ignora o setor cultural, ignora o setor privado e ignora o impacto económico no centro urbano. O Município continua a comprar tudo, a afastar investimento privado e a bloquear soluções que poderiam dar vida à cidade. Confunde-se intervenção pública com ocupação total do espaço económico.
Tudo aponta para a priorização cega de uma promessa eleitoral, mesmo que isso signifique desviar recursos de onde são verdadeiramente necessários. A cultura não pode ser usada como instrumento de propaganda nem como desculpa para decisões mal preparadas.
O dinheiro público exige respeito, rigor e planeamento. Comprar primeiro e pensar depois é irresponsável. Isto não é visão estratégica nem política cultural séria. É improviso — e o improviso, em gestão pública, paga-se caro!
*Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD e Vereador da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis