12 Feb 2026
Pedro Marques*
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Um executivo sem visão, agarrado a desculpas, a condenar Oliveira de Azeméis ao atraso.
Em Oliveira de Azeméis, depois de mais de oito anos no poder, o executivo municipal do PS governa sem rumo e sem coragem, refugiando-se num discurso gasto de desculpas. Quando algo corre mal, a culpa é sempre de terceiros: do tempo, de outras instituições, do Governo ou da eterna “herança do PSD”. Nunca é de quem decide. Este padrão não é acidente — é método. E as desculpas não resolvem os problemas das pessoas nem das freguesias. A realidade é dura e inegável: não há visão de futuro nem um único projeto estruturante para o concelho. Não se cumprem prazos, os orçamentos derrapam, não existem prioridades claras e governa-se através de políticas ad hoc, improvisadas e reativas. Oliveira de Azeméis não avança porque quem governa não sabe, não quer ou não consegue definir um rumo estratégico. As freguesias estão abandonadas, os problemas repetem-se ano após ano e as desigualdades internas agravam-se. Enquanto concelhos vizinhos planeiam, executam e transformam investimento em desenvolvimento real, Oliveira de Azeméis estagna. O atraso deixou de ser conjuntural — é estrutural e resulta de opções políticas. A questão da água e do saneamento é talvez o exemplo mais claro desta má governação. O saneamento tem sido usado como muleta política para justificar a inércia e a falta de visão. Mas a verdade é outra: o PS renegociou o contrato de concessão da água e do saneamento à custa dos oliveirenses, agravando encargos e comprometendo o interesse público. Enquanto outros concelhos tiveram a coragem de renegociar contratos para baixar a fatura da água às famílias, em Oliveira de Azeméis optou-se por proteger o concessionário e transferir custos para os munícipes. O saneamento não é a causa da paralisia; é apenas o álibi conveniente para a esconder. Passados mais de 100 dias do meu mandato como vereador da oposição, a conclusão é clara: estava certo. O contacto direto com os processos, a sucessão de decisões adiadas e a inexistência de um plano confirmam que cada dia que passa torna mais incerto o futuro de Oliveira de Azeméis.
O que sobra são obras avulsas, restauros cosméticos e anúncios vazios — gestão de aparências, não governação. Governa-se como um empreiteiro, mas dos maus. Depois de quase uma década no poder, invocar o passado já não é desculpa — é falência política.
Chega de desculpas. O concelho exige trabalho e resultados.
*Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD e Vereador da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis