21 May 2026
> Pedro Marques (PSD)
Mais de 3 milhões de euros para repavimentações pode parecer muito num comunicado oficial. Mas quem anda diariamente nas estradas do concelho sabe que esta verba está longe de resolver o problema estrutural da rede viária de Oliveira de Azeméis.
A realidade é simples: há vias municipais em estado absolutamente deplorável, algumas com buracos, abatimentos e remendos sucessivos que já fazem lembrar estradas de países do terceiro mundo. E o mais preocupante é que ninguém conhece verdadeiramente quais foram os critérios utilizados para definir as intervenções agora anunciadas.
Por que razão entram determinadas ruas e outras ficam de fora? Houve avaliação técnica independente? Houve levantamento do estado real da rede viária? Houve prioridades definidas com transparência? Até ao momento, nada disso foi explicado de forma clara aos Oliveirenses.
O próprio documento da empreitada reconhece o “estado de degradação” das vias, admitindo problemas graves ao nível da segurança rodoviária e da circulação automóvel e pedonal. Mas a questão central mantém-se: se a situação é assim tão grave, então este investimento não passa de um remendo parcial num problema muito maior.
Ainda mais preocupante é perceber que, depois de investimentos recentes de milhões de euros em pavimentações, continuam a existir dúvidas sobre a qualidade de algumas obras executadas. O próprio presidente da Câmara admitiu suspeitas relativamente à espessura do pavimento aplicado em intervenções recentes, ao ponto de o município mandar recolher amostras para análise.
Isto significa que os oliveirenses podem estar a pagar duas vezes: primeiro por obras mal executadas e depois por novas repavimentações poucos anos mais tarde.
Ao longo dos últimos anos, o executivo foi anunciando sucessivos “maiores investimentos de sempre” na rede viária. Em 2024 já tinham sido anunciados 2,8 milhões de euros para cerca de 150 ruas. Agora surgem mais 3 milhões. E, apesar disso, continuam dezenas de vias em estado crítico.
O problema já não é apenas falta de dinheiro. É falta de planeamento, de manutenção preventiva e de fiscalização séria das obras executadas. Porque quando as estradas continuam a degradar-se rapidamente após intervenções recentes, deixa de ser apenas um problema de investimento — passa a ser um problema de gestão.
*Presidente da Comissão Política do PSD e Vereador da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis