23 Jul 2026
> Carlos Braga (PSD)
Em Oliveira de Azeméis, a Terra socialista parece querer casas, mas suspeita de quem as constrói. Quer investimento, mas demoniza quem investe. Quer rendas baixas, mas castiga os senhorios. Depois, naturalmente, a culpa é do mercado.
O PS local montou um melodrama ridículo em torno do fim do congelamento de rendas para quem ganha mais de 64 mil euros por ano. “Que idosos ganham isto?”, perguntam, com a demagogia habitual. Quase nenhuns, claro. E é precisamente esse o ponto. A medida é cirúrgica e protege quem precisa. Mas, para o PS, um senhorio reformado deve funcionar como uma Segurança Social privada, subsidiando quem ganha fortunas. Chamam-lhe justiça social. É a maneira elegante de dizer: o teu património é nosso quando nos convém. Depois há o T2 milagroso, essa criatura mitológica que rende 9% e aparentemente se paga a si própria. Uma mina de ouro, portanto. Só há um pequeno problema: a matemática, essa inconveniente, insiste em incluir IRS ou IRC, IMI, condomínio, obras, seguros e despesas que aparecem sempre quando ninguém as convidou. Ao preço a que estão os imóveis em Oliveria de Azeméis, mesmo usados com mais de duas décadas, a taxa de rentabilidade apresentada não passa de uma fantasia. Na matemática criativa do PS, quem ganha 9% ao ano sem risco já devia estar num iate em Vilamoura, a viver à grande à custa das rendas.
Querem fixar jovens e famílias em Oliveira de Azeméis, mas asfixiam o mercado imobiliário. Querem mais casas e rendas mais baixas, tratando o mercado como inimigo. Esquecem que, sem um mercado funcional, não há oferta para aumentar nem rendas para baixar. Esquecem-se de que somos terra de indústria. As fábricas precisam de trabalhadores e estes de tetos. E as casas não nascem de discursos. Sem investimento, não há construção e quando as betoneiras param, não são os “tubarões da especulação” que ficam sem trabalho. São trolhas, pedreiros, carpinteiros, pintores, eletricistas e o comércio local. Pessoas concretas, com contas concretas.
O PS sufoca o mercado com impostos e burocracia e depois aparece vestido de bombeiro. Deviam ter alguma vergonha e descer do pedestal. Conversa bonita não constrói casas. Pedidos de debate não pagam rendas. E enquanto brincam à política, quem trabalha continua sem casa e o concelho continua a pagar a conta.
*Comissão Política Secção do PSD de Oliveira de Azeméis