17 Sep 2026
> António João Santos (PSD)
A Noite Branca voltou a encher Oliveira de Azeméis nos dias 11 e 12 de setembro, com milhares de pessoas na rua, associações mobilizadas, comércio com movimento e duas noites de grande convívio. É justo reconhecer o mérito de todos os que contribuíram para este resultado, em particular das associações, cujo empenho e trabalho voluntário continuam a ser fundamentais para o sucesso do evento.
Mas é precisamente porque a Noite Branca já conquistou o público que devemos exigir mais.
A edição de 2026 expôs uma fragilidade que não pode ser ignorada: a progressiva perda da dimensão cultural e artística que esteve na génese do evento e a evidente falta de capacidade para o renovar. A fórmula repete-se, a animação pouco surpreende e faltou aquele momento capaz de marcar a edição e fazer alguém dizer: “Isto é novidade!”.
Ter muita gente na rua não pode ser o único indicador de sucesso. Se assim fosse, bastaria repetir todos os anos a mesma receita. Uma cidade com a dimensão, o tecido associativo, os artistas, as escolas, o comércio e os recursos culturais de Oliveira de Azeméis merece uma visão muito mais ambiciosa.
A Noite Branca poderia ser uma verdadeira montra da criatividade local e regional, transformando a cidade num palco através de instalações artísticas, luz, projeções, performances, teatro, dança, arte urbana e experiências inesperadas. Poderia ter uma identidade própria e apresentar, todos os anos, uma ideia nova que justificasse o regresso não apenas porque “é a Noite Branca”, mas porque ninguém quer perder as novidades do ano.
O problema não está nas associações. Pelo contrário: são parte essencial da solução. O problema está em confundir participação associativa com programação cultural e em aceitar como suficiente aquilo que já funciona.
Falta ambição. Falta inovação. Falta uma estratégia cultural para um evento que já atingiu uma dimensão que obriga a pensar maior.
Duas noites de festa das associações são boas, mas não podem ser o limite da ambição de Oliveira de Azeméis.
A Noite Branca conquistou o público. Agora falta saber se quem a organiza terá coragem para conquistar também a sua imaginação.
* Membro da Assembleia de Freguesia da UF de Oliveira de Azeméis, Santiago de Riba-Ul, Ul, Macinhata da Seixa e Madail