Desastroso é um nome possível…

Helena Terra

O outro nome possível é “isto é gozar com quem trabalha”. Falo do estado atual a que chegou o governo do país. Falo daquilo que são as declarações do Ministro das infraestruturas, quer na sua primeira conferência de imprensa, quer na sua audição na Comissão Parlamentar de Inquérito.

Tudo o que temos ouvido é um desfilar de duques e muitas cenas tristes. Daquilo que é o verdadeiro objeto da comissão de inquérito, já ninguém se lembra, mas vamos continuar a assistir a esta verdadeira telenovela com um péssimo argumento e atores de muito má qualidade.
É fácil perceber que António Costa não aceitou o pedido de demissão de João Galamba, para mostrar a Marcelo Rebelo de Sousa que quem manda no governo é ele. E que não está para lhe dar ouvidos, fazendo-o crer que essa fase acabou com a geringonça.
O grave não foi Aníbal Cavaco Silva, num discurso que fez no último sábado, ter sido bastante crítico do primeiro-ministro António Costa dizendo que este perdeu a autoridade e que o Governo socialista atingiu uma incompetência de uma tal dimensão que nunca se imaginou. Grave, mesmo, é que o que Aníbal Cavaco Silva disse é verdade.
Cada vez que alguém do gabinete do Ministério das Infraestruturas é ouvido na Comissão de Inquérito, Ministro à cabeça, ficamos todos com vontade de nos escondermos debaixo da mesa, como fazem algumas crianças quando há trovoada. É que o que vão dizendo é tão ou mais assustador que a trovoada.
Não é possível marcar eleições antecipadas, neste momento, porque não há nenhuma alternativa democrática possível ao atual governo, mesmo este sendo mau. O atual governo tem alguns, poucos, ministros que, noutro conjunto, podiam ser razoáveis e outros que não é possível, sequer, dizer que foram um erro de “casting”, porque é quase certo que nem ao “casting” foram…
É urgente que o partido que os portugueses escolheram nas últimas eleições para governar Portugal resolva, internamente, a crise que neste momento não é má apenas para o partido. É muito má para a credibilidade das instituições e para a democracia que se espera que, no próximo mês de abril, possa efetivamente comemorar 50 anos, viva e com a maturidade que, pela sua idade, dela se espera.
O país não pode continuar prisioneiro de projetos pessoais de poder, sejam de quem forem. O país tem de se libertar do atavismo egoísta da maioria dos protagonistas dos dois maiores partidos portugueses. 
Há quem diga que a bipolarização não é a melhor forma de cultivar uma democracia, mas, pior que isso, é que, pelo facto de não ser possível a bipolarização por falta de verdadeiros líderes nos dois maiores partidos, e de projetos sérios para o país, nós corramos o risco de estender o tapete a populismos autoritários que ninguém deseja e que o país não merece.

  * Advogada
 

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