16 Sep 2020
Intervenções nas ETAR podem atingir valores de “mais de 15 milhões de euros”
Para o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, existem três pontos essenciais para a resolução deste atentado ambiental - resolver o problema da rede de saneamento do concelho, investir na requalificação das ETAR e realizar ações de fiscalização. “Precisamos de investimentos substanciais, uma vez que as ETAR estão muito absoletas”, descreveu Joaquim Jorge, em declarações ao Correio de Azeméis. “Precisávamos de uma segunda linha de tratamento, por exemplo, em Ossela, e de obras que atualizem as ETAR que permitam que elas tratem os efluentes que lá cheguem de uma outra maneira”, explicou. Agora, o edil estipula que sejam necessários cerca de 12 a 15 milhões de euros para intervir nas duas ETAR e afirma que tem alertado a Associação de Municípios das Terras de Santa Maria por causa dos investimentos necessários. “Turisticamente, o nosso concelho está a ser prejudicado por esta situação. Temos uma série de planos para os nossos rios, mas é evidente que todos esses planos ficam prejudicados se não tivermos qualidade na água”, declarou Joaquim Jorge. “Para termos passadiços, zonas de lazer e praias fluviais, temos que ter os rios com águas límpidas”, lembrou. Recorde-se que, em 2018, a AMTSM assinou um contrato de sete anos onde previam um investimento de 9,5 milhões de euros para as ETAR de Ossela e do Salgueiro, onde 5,5 milhões euros eram destinados à operação e à manutenção das infraestruturas e os restantes quatro milhões de euros serviriam para a requalificação dos 15 quilómetros de emissários.
“Se a água tivesse qualidade, seria mais um ponto turístico na freguesia”
Apesar de as juntas de freguesia não terem competência para resolver estes casos, é com preocupação que também encaram esta poluição dos rios do concelho. “Esta situação vai fazendo com que haja uma perceção negativa da freguesia de Ossela, porque a ETAR está em Ossela”, lamentou o presidente da Junta de Freguesia de Ossela, José Santos, em declarações ao Correio de Azeméis. A presidente da União das Freguesias de Pinheiro da Bemposta, Travanca e Palmaz, Susana Mortágua, realçou ao Correio de Azeméis que “tem de existir vontade política” para encontrar uma solução para este problema. “É necessário um grande investimento”, afirmou a autarca. “Pode haver formas de pressionar todos os municípios para tentarmos agir, uma vez que o rio não é aprazível para banhos e, se a água tivesse qualidade, seria mais um ponto turístico na freguesia”, sublinhou.
Oliveirenses fazem circular uma petição em prol do rio Caima
O Correio de Azeméis também esteve perto de um dos focos de poluição em Ossela, situado na Ponte dos Cadeados. Na passada sexta-feira, vários oliveirenses decidiram mostrar o seu desagrado perante a situação e juntaram-se no local. José Costa, de Nogueira do Cravo, declarou que este problema perturba a natureza. “Este sítio, por exemplo, seria um ótimo local para turismo. Sentimo-nos desiludidos com as entidades competentes”, lamentou. Florimundo Carvalho, de Oliveira de Azeméis, concordou. “Não temos uma praia fluvial por causa da água poluída e o saneamento é inacreditável. Precisamos do turismo”, apelou. Há dois meses, foi criado um grupo de Defesa Ambiental do Rio Caima que está a fazer circular aa petição pública online ‘Pela despoluição do Rio Caima’. “O objetivo é o de sensibilizar a população e ser o suporte do anseio da mesma para a despoluição do rio”, explicou Sérgio Bastos, realçando que é Eduardo Martins, de Palmaz, quem tem dinamizado o grupo. Até ao momento, a petição conta com mais de 500 assinaturas.