10 Sep 2026
> Prof. Henrique Pereira
No dia 8 de setembro assinala-se o Dia Mundial da Fisioterapia. Mais do que uma data comemorativa, é uma oportunidade para reconhecer uma profissão que ajuda diariamente milhares de pessoas a recuperar, prevenir problemas de saúde e a conquistar maior autonomia. Há movimentos que parecem simples até ao dia em que deixam de o ser. Caminhar, subir escadas, levantar-se de uma cadeira, trabalhar ou simplesmente brincar com os netos podem tornar-se verdadeiros desafios quando surge uma lesão, uma doença ou as limitações próprias, por exemplo, do envelhecimento. É precisamente aí que a fisioterapia assume um papel fundamental. Muito além do tratamento da dor, a fisioterapia acompanha a pessoa na recuperação da sua capacidade funcional e na conquista de uma vida mais ativa e independente. É uma área da saúde, do bem-estar e do desporto presente na reabilitação após cirurgias e acidentes, na recuperação de lesões, no tratamento de problemas músculo-esqueléticos e neurológicos e no acompanhamento de muitas doenças crónicas. Mas há uma mensagem que importa reforçar: a fisioterapia também atua na prevenção. Num tempo marcado pelo sedentarismo, por longas horas sentados e por estilos de vida cada vez menos ativos, aprender a cuidar do corpo antes de surgir um problema pode fazer toda a diferença. Através do exercício, da educação para a saúde e da orientação individualizada, o fisioterapeuta ajuda a prevenir lesões e a manter a capacidade de movimento ao longo da vida. Neste percurso, as instituições de ensino superior assumem uma responsabilidade decisiva. É nas escolas superiores que se formam os fisioterapeutas do futuro, através de uma formação que deve aliar conhecimento científico, competências clínicas, pensamento crítico, ética e uma forte componente humana. A preparação de profissionais capazes de responder aos desafios atuais da saúde exige uma ligação permanente entre ensino, investigação e prática clínica, contribuindo para que a fisioterapia evolua e ofereça respostas cada vez mais qualificadas às necessidades da população. Nas comunidades locais, este trabalho ganha ainda maior significado. Conhecer as pessoas, perceber as suas dificuldades e adaptar a intervenção à sua realidade permite que os cuidados sejam mais próximos, humanos e eficazes. O Dia Mundial da Fisioterapia é, por isso, também um convite à reflexão: estamos a cuidar suficientemente do nosso movimento? Porque movimento é autonomia. É independência. É participação. É poder continuar a fazer aquilo de que gostamos e estar presente na vida de quem nos rodeia. Neste 8 de setembro, fica o reconhecimento a todos os fisioterapeutas que, através do conhecimento, da dedicação e da proximidade, ajudam a transformar limitações em possibilidades.
Cuidar do movimento é, afinal, cuidar da própria vida.
* Presidente do Conselho de Direcção da ESSNORTECVP