Dia 8 de Março no Seculo XXI

Helena Terra

Em 1975 a ONU começou, a celebrar o dia 08 de março como o dia internacional da mulher, mas só a 16 de dezembro de 1977 é que, através da Resolução formal, este viria a ser reconhecido oficialmente pela Assembleia Geral das Nações Unidas como o Dia Internacional da Mulher.

Este dia pretende celebrar os direitos que as mulheres conquistaram até ao dia de hoje, relembrando o longo e estreito caminho percorrido rumo à igualdade. Tudo começou por reivindicações, aparentemente tão simples como o direito ao voto, o direito à igualdade salarial, à maior representação em cargos de liderança, à proteção em situações de violência física e/ou psicológica, no acesso igual à educação… Estranho parece que, a defesa destas coisas que, para alguns e para algumas, parecem já adquiridos, continuam atuais porque, em vários pontos do globo, esses direitos continuam por cumprir e, mesmo em Portugal, alguns continuam ainda a fazer o seu caminho.
É preocupante apercebermo-nos de que, todos os anos, 12 milhões de raparigas são forçadas a casar-se antes dos 18 anos — o que significa 23 raparigas por minuto, uma a cada 3 segundos. E, apesar desta parecer uma prática arcaica, de acordo com a UNICEF, o Brasil, um país do mundo lusófono, tem o 4.º maior número de noivas menores do mundo, contabilizando 3.034.000 raparigas. Em Moçambique, o número, apesar de menor (649.000), equivale à 9.ª taxa mais alta de casamentos forçados com crianças a nível mundial.
No que diz respeito a Portugal, dados de final de 2022 revelam uma disparidade salarial de 13,3%. Tal significa que a diferença entre o salário médio das mulheres e dos homens é de 13,3% em desfavor das mulheres. 
Estão publicados, no Portal da Violência Doméstica, os Indicadores Estatísticos relativos aos crimes cometidos em contexto de violência doméstica e homicídios voluntários nesse mesmo contexto, respeitantes ao período de julho a setembro de 2022. No total, vítimas são 1577 pessoas. Destas, 54.1% são mulheres, 44.8% são crianças e 1,0% são homens.
A Comissão Europeia lançou a Estratégia para a Igualdade de Género 2020-2025. A Estratégia preconiza «uma Europa em que mulheres e homens, raparigas e rapazes, em toda a sua diversidade, sejam iguais e livres de seguir o caminho de vida que escolheram, tenham as mesmas oportunidades de realizarem o seu potencial e possam participar na nossa sociedade europeia e dirigi-la, em igualdade de circunstâncias.» O tema deste ano é “DigitALL: Innovation and technology for gender equality”. Atualmente 37% das mulheres não utilizam a Internet. 259 milhões de mulheres têm menos acesso à Internet do que os homens, apesar de representarem quase metade da população mundial.
Grata à natureza por ter nascido mulher, ser mulher, sentir-me mulher e gostar disso. Firme nesta luta, mas sem querer, nunca, inverter os papeis.
  * Advogada
 

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