E agora!

Opinião

Vitor Januário *

O que há de novo na situação política que agora se constitui, com velhas ideias já comprovadamente aplicadas e demonstradas nas motivações e consequências?
Sem surpresa, exceto no enfeite dos discursos e na intensidade do aproveitamento da desgraça alheia ( uns atiçando-se com imigrantes para declaradamente lhes tirarem direitos, apesar das contribuições mensais destes, e empolgando-se com a despudorada moral de quem não mexe nos meios para combater práticas corruptas, embora acene com troantes castigos aos eventuais apanhados; outros focando-se na depreciação da propriedade e gestão estatais para esvaziarem a obrigação de serviços essenciais públicos através da aposta na iniciativa privada em todos os setores ), entram na Assembleia da República, com mais ou menos entendimentos formais, mas em frente ampla de direita, capaz de mexer na Lei Fundamental. 
Perto dos 50 anos do 25 de Abril, a tática político-partidária encheu-se de habilidades de ilusionista (ora prometendo ora submergindo propósitos com torrentes de palavras) e vestiu-se de justiceira ( sempre implacável com os que não se conseguem opor ), aproveitando o contexto social apesar dos projetos políticos. Na verdade, procura-se fintar o povo à boleia da poderosa afirmação de que “o povo é quem mais ordena”. Sem disfarce, a injustiça está na abissal diferença entre poucos que ficam com a maior parte do bolo da riqueza e muitos que não conseguem a magra fatia, apesar do suor e das lágrimas. 
Perante a desigualdade e a acumulação de riqueza, só importaria distribuí-la por quem a cria ( convém lembrar que são os trabalhadores que a fazem, mas dela quase nada obtêm).No entanto,  o impasse é tão grande na vida de quem tem de fazer contas para esticar o salário até onde o mês permitir que aceita a atribuição da culpa a um sistema, que a direita mais extrema procura capturar sem solução. Na verdade, há um sistema capitalista  que impede a melhoria de condições de vida. Todavia, os que agarram a insatisfação para dela tirarem vantagem, colocam-na num cenário de suspeição do próprio sistema democrático, como se precisasse de um salvador.  Na democracia saída da nossa Revolução de 1974, não passarão retrocessos sem a resistência do PCP e demais forças progressistas. 
A persistente invetiva sobre serviços que geram descontentamento por diferentes deficiências nas condições de funcionamento ( apontando sempre serviços públicos, mas nunca referindo serviços privados que deveriam  ser revertidos) perspetiva, portanto, restituição de mais influência do poder económico na saúde, na educação, na proteção social e noutros setores, submetendo o poder político e tornando mais difícil a resolução de problemas das pessoas. Será  preciso lembrar, nesta retomada lógica liberal, a sua preocupação com a capacitação das entidades financeiras privadas e as grandes empresas exportadoras, na medida em que, à direita, não há governo para reforçar o papel de quem trabalha (nomeadamente pela reabilitação da contratação coletiva, da valorização de salários e carreiras bem como de horários que permitam conciliar vida laboral com familiar),isto é, de quem (recordando, de novo) gera riqueza a quem enriquece.
Então, como se melhora de vida sem se melhorar a vida de quem trabalha? Da parte do PCP, sempre se percebeu que não há direitos sem luta, sem mobilização para impedir perdas de conquistas sociais e de consagrações constitucionais bem como para alcançar avanços de bem-estar. Por isso, a intervenção feita em período eleitoral só poderia ser a que sustenta esta intenção de desenvolvimento do país, não apenas de crescimento que ignora o fator do valor do trabalho e das prestações sociais. Cabe-nos, então ,fazer   como sempre sobre o que sempre se fez, isto é, impedir que se promova a privatização de serviços, contrapondo com as propostas de investimento público. 
Os recuos no propósito de construção de uma vida melhor, saído da Revolução do 25 de Abril,  não passarão sem a resistência do PCP.
 

* Membro da  Comissão Concelhia do CDU

Partilhar nas redes sociais

Comente Aqui!









PUB
Últimas Notícias
Azemad é o novo patrocinador das seleções nacionais de hóquei
4/04/2025
Oliveirense fica-se pelos 'quartos' da Champions
4/04/2025
EBS Dr. Ferreira da Silva é a melhor escola pública do país
4/04/2025
Agenda desportiva para quarta-feira, 09 de abril
4/04/2025
Agenda desportiva para domingo, 06 de abril
4/04/2025
Agenda desportiva para sábado, 05 de abril
4/04/2025
Começou hoje a VII Conferência Internacional de Investigação em Saúde
3/04/2025
“É um privilégio médicos de hospitais centrais reconhecerem-nos como um bom centro de formação na área da geriatria”
3/04/2025