E depois do Adeus…

Helena Terra

E Depois do Adeus é uma canção que nasce de um poema de José Niza e música de José Calvário e que, interpretada por Paulo de Carvalho, representou Portugal no Festival Eurovisão da canção em 06 de abril de 1974. Por isso, era uma canção em voga na altura, que andava nas bocas de todos e, não tendo conteúdo político, com a sua transmissão pelos Emissores Associados de Lisboa às 22h55m do dia 24 de abril de 1974, foi com ela dada a ordem para as tropas se prepararem e estarem a postos, esta foi a dita primeira senha.

O efetivo sinal de saída dos quartéis viria depois, pela Rádio Renascença, que passou o “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso. Era a segunda senha que mandava as tropas para a rua.
Foi há 49 anos, numa quinta-feira. No continente português, o céu estava muito nublado nas regiões do litoral, pouco nublado nas regiões do interior e o vento era fraco ou moderado de noroeste. Havia neblina em alguns locais. O cenário era o ideal para que “o salvador chegasse”, por entre a neblina, quiçá dando substância ao mito do “Sebastianismo” que alimentava a esperança de que regressaria um dia, numa manhã de nevoeiro, para salvar o país de todos os seus problemas. Só pode ter sido coincidência…
António de Oliveira Salazar foi o primeiro-ministro de Portugal durante 36 anos, de 1932 até 1968, época em que impôs um regime autoritário que anulou todas as tentativas de oposição ao seu governo num sistema de partido e pensamento único: a União Nacional. Em 1961, tem início a guerra colonial, para a qual iam filhos que não tinham pais e pais que não chegaram a conhecer os filhos, sem perceber o porquê e sem escolha. Nas ex-colónias morria-se na guerra. Cá morria-se nas prisões às mãos da polícia política, quantas vezes numa morte lenta precedida de insuportável tortura. Prendia-se, sem culpa e apenas para poder silenciar. Cumpriam-se penas longas sem julgamento…
A sede da PIDE na Rua António Maria Cardoso, o Aljube, o Forte de Caxias, o Forte de Peniche, a Fortaleza de S. João Batista em Angra do Heroísmo, o Tarrafal em Cabo Verde, alguns deles são, hoje, espaços museológicos em cujas visitas reina um silêncio ensurdecedor e todos eles causam arrepio, só de ouvir ou pronunciar o nome.
A resistência era feita por muitos e muitas, de várias formas. Apesar da censura, foram inúmeras as músicas de intervenção que, ainda hoje sabemos de cor. Aliás, José Mário Branco escreveu e cantou que a cantiga é uma arma:
A cantiga é uma arma
E eu não sabia
Tudo depende da bala
E da pontaria
Tudo depende da raiva
E da alegria
A cantiga é uma arma
E muitos foram os que deram alma e voz a esta arma que, durante a resistência antifascista, era uma das mais poderosas, porque “não há machado que corte a raiz ao pensamento, porque é livre como o vento, porque é livre!”
  * Advogada
 

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