E todos ficaram a perder…

Helena Terra

Helena Terra *

Os últimos dias que vão para lá da última semana, foram de total e completa animação no cenário político português. Não foi, lamentavelmente, pelos melhores motivos.
Se quiséssemos procurar a causa das coisas, teríamos de recuar no tempo uns bons anos, mas não é isso que, agora, vou fazer.

Se bem se recordam, foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito, tendo por objeto a análise do despedimento de Alexandra Reis que motivou o pagamento a esta administradora do valor de meio milhão de euros. Este foi, efetivamente, o ponto de partida. Teme-se o ponto de chegada, mas o percurso até agora percorrido e conhecido é terrível, cheio de surpresas (ou talvez não!) sem se saber o que ainda estará para vir.
O anterior Ministro das Infraestruturas já foi, para já, de férias. O Secretário de Estado Hugo Mendes deixou de ser um ilustre desconhecido do público em geral para fazer manchetes de jornal e passar a andar nas bocas do mundo.
Eis que, a 27 de abril, um assessor daquele mesmo Ministério, Frederico Pinheiro, é exonerado por telefone pelo Ministro da tutela, João Galamba. Segue-se uma cena de polícia, ou melhor de polícias que acaba com o SIS. O staff do Ministério barricado na casa de banho e um ex-assessor “sequestrado” no seu interior que parece ter conseguido sair das instalações com uma bicicleta atirada contra um vidro e a intervenção policial.  À primeira vista, parece uma notícia de mais uma ocorrência no Bairro de Chelas. Mas não. Tudo isto se passou na Av. Barbosa du Bocage, na cidade de Lisboa.
Este episódio, de um policial de cordel, tem um responsável político direto que se chama João Galamba e que, no dia 29 de abril, dá uma conferência de imprensa cujo teor, nem o jet lag de alguém que acaba de regressar de Singapura pode justificar. Segue-se um momento inicial de aparente silêncio do primeiro-ministro para poder montar os cenários dos jogos palacianos que se seguiram.
Depois do Dia do Trabalhador, António Costa fala ao país e ele que costuma dizer (quando lhe interessa é certo) à justiça o que é da justiça e à política o que é da política, veio fazer, aos microfones da imprensa nacional, o julgamento do tal do assessor do Ministério das Infraestruturas dizendo que o mesmo praticou um roubo e agrediu as assessoras do Ministério. Isto é um julgamento e António Costa, jurista, que até já foi advogado, sabe disso. Fica um testemunho de coerência política e intelectual do primeiro-ministro. A isto segue-se um exercício de eloquência, no qual, resumidamente, António Costa invoca questões de consciência para não aceitar o encenado pedido de demissão que João Galamba lhe havia apresentado.
António Costa quis deixar o grupo dos “bons rapazes” que institucionalmente, ambos sem a mínima vontade de o fazer, até qui sempre tinham “cantado afinadinhos”: a dupla António Costa Marcelo Rebelo de Sousa.
António Costa lidera um governo de maioria absoluta no qual, já nem o Presidente do PS se revê e, portanto, quis mostrar a Marcelo que, no governo, manda ele.
Marcelo, apesar de ter proferido um dos maiores enxovalhos públicos alguma vez ouvido dirigido a João Galamba (mas não só) desta vez engoliu.
No fim todos ficaram a perder. Perdeu o Primeiro-ministro, perdeu o Presidente da República, perde o Povo e temo que perca o sistema democrático que dias antes comemorámos.  
  * Advogada
 

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