12 Mar 2026
António Couto*
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Há mais de um mês que não se vê o Sol, encoberto por meia dúzia de tempestades que desabaram sobre Portugal. No meio da tormenta, não desistiram os órgãos do Estado e manteve-se operacional a CNE na convocatória feita aos portugueses para elegerem um novo Presidente da República. Os processos da democracia têm de ser os que mais resistem porque são os que nos dão mais confiança.
Havia muitos candidatos, mas, necessitando de segunda volta, ficaram dois – António José Seguro e André Ventura.
Durante esse período, numa parte do país, só havia capacetes com lâmpadas piscando no escuro, telhados desabados, rios galgando margens, casas e testas sujas, falta de água e até de alimentos em bocas secas e esfomeadas.
No meio da resistência e solidariedade para enfrentar a devastação, os portugueses, alçando-se em vagões, em carros, em botes e até a pé, expressaram-se bem alto, no segredo da câmara de voto, sobre o mar de capacetes, de botas encharcadas e de luzes:
- Fascismo nunca mais!
E assim foi.
Quase todos acharam um pedaço de papel, e a esmagadora maioria debruçou a sua cruz no candidato que não ofendia a Constituição da República Portuguesa, a qual ainda lá tem parte do que Abril nos deu, não deixando, contudo, de lhe escrever as suas queixas na vigilância que exigem as responsabilidades políticas que resultam dos boletins lançados para dentro de cada urna eleitoral.
E assim foi.
Alguns papéis estavam em branco.
Outros considerados nulos.
Mas, mais uma vez, a democracia triunfou.
Por agora, isso é o que mais importa.
Amanhã, virá o Sol!
Mais uma vez, ele espalhará, com igual direito, comunismos de luz, para pobres, ricos e remediados, mesmo que, persistentemente, alguns não aceitem que é mesmo para partilhar,
Pois, o Sol, quando nasce, é para todos
(repito, repito)
O SOL, QUANDO NASCE, É PARA TODOS!
*(CDU)