Então, e a economia?

Helena Terra

Helena Terra *

Vivemos um momento de crise, há que dizê-lo. Temos números de emigrantes superiores aos que tínhamos nos anos 60 do século passado. Isto quer dizer que, hoje como naquela altura, há muita gente que se sente compelida a sair do país para procurar melhores condições de vida que começam, sempre, pelo índice salarial.

Temos uma imigração crescente, mesmo falando só do número dos imigrantes legais em Portugal. E, mesmo assim, temos um enorme défice de mão de obra nos mais diversos sectores. Mesmo tendo diminuído nos dois últimos anos, fruto da pandemia, a esperança média de vida à nascença, continua muito elevada; atualmente é de 77,6 anos para os homens e 83,3 para as mulheres. O que, obviamente, é bom, mas implica maiores custos em saúde e apoios sociais, com uma curva ascendente da despesa social a suportar pelo estado e uma curva descendente da receita contributiva a arrecadar pelo estado.
A primeira crise com que estamos confrontados é, pois, uma crise demográfica, motivada, por um lado, quer pela baixa taxa de natalidade que continuamos a registar, quer pelos elevados e crescentes números da emigração e, por outro lado, pelo forte envelhecimento da população que nos revela uma pirâmide populacional completamente invertida.
Dos números obtidos pelos últimos censos (2021), conclui-se que, em 10 anos, Portugal perdeu cerca de 220 000 habitantes. O país é do mesmo tamanho, mas nós, cada vez, somos menos.
Só através de intervenções na economia é possível inverter esta tendência. Precisamos ter uma economia com um forte crescimento, porque os crescimentos anémicos com que alguns parecem contentar-se apenas nos podem conduzir ao desastre. 
Muitos parecem, absolutamente satisfeitos com o facto de que, apenas a economia de Chipre (5,4%) cresceu mais do que a portuguesa (4,9%) nos três meses do verão, em termos homólogos, entre os 19 países da moeda europeia.
Poucos parecem preocupados com o facto de, até a Roménia, nos ter ultrapassado no aumento do PIB per capita que, no primeiro trimestre deste ano, registou um aumento de 12,9% do P.I.B e no segundo trimestre um aumento de 3,7%, enquanto que Portugal registou, no primeiro trimestre um aumento de 3,8% do P.I.B. e no segundo trimestre um aumento de 2,6%.
Só um forte crescimento económico pode tirar-nos da encruzilhada em que nos encontramos. E o crescimento económico obtém-se através do aumento das exportações de produtos de grande valor acrescentado. O papel do Estado tem que ser no sentido do investimento no nosso setor produtivo em ciência, tecnologia e inovação. O banco de fomento tem que sair do papel, e o peso da burocracia e do excessivo formalismo tem que ser abolido.  O sistema judicial em geral e o administrativo em particular, têm que ser um forte pilar de apoio à economia e não uma fonte de permanente entropia. A preocupação tem que passar a ser com a eficiência em vez de ser com a eficácia… estes dois parecem sinónimos, mas não são!

 * Advogada
 

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