Em
Correio de Azeméis

28 Mar 2023

Era uma vez a Era história…

Helena Terra

Helena Terra *

Hoje vou escrever a propósito da imposição de um gosto, ideologia, modo sociológico, chame-se lá o que se quiser, daquilo a que já se convencionou de politicamente correto, mas que mais não é que a manifestação de uma ditadura estética ou de gosto.

Começo por fazer a minha declaração de interesses, dizendo que o primeiro livro que li, depois de ter aprendido a fazê-lo, foi “A Branca de Neve e os sete Anões”. Era uma livro muito bonito, em alto relevo que tinha uma beleza estética e artística, inigualável para a época. Foi-me oferecido pelo meu pai que o comprou na Livraria “O Livro”. Li um grande número dos livros dos “Cinco” da Enid Blyton e, confesso, ter pena, de não ter lido a coleção inteira que, julgo ser composta por 21 histórias de aventura e confusão.
Nenhum dos personagens que estão na memória de várias gerações nos deixou com problemas de saúde ou equilíbrio mental, nem com recalcamentos no supra ou no infra ego, julgo eu, falando por mim. Aprender bom senso com o Julian, ou sentido prático com a Anne, não me fez mal nenhum. O brincalhão e bem humorado do Dick, se é certo que a espaços, aumentava o “receio” dos outros, também servia para o aligeirar; a Georgina, a maria-rapaz destemida, cuja coragem, tantas vezes era o primeiro passo para a saída de todos de apuros e até o cão Timmy, que reforça o papel importante de companheirismo entre crianças e animais e as interações entre estes desenvolvidas.
Enid Blyton é uma das autoras de livros infantis mais queridas do Reino Unido, cujas obras estão entre as mais traduzidas do mundo. Porém, o legado deixado pela escritora, que faleceu em 1968, não está a ser visto com bons olhos e está a ser “reescrito”. As obras de qualquer autor são autênticas provas da história da Humanidade. São também provas do passado, das vivências e das mentalidades da sociedade de então. Não é possível reescrever o passado, mas aparentemente é possível reescrever obras passadas. Ora, o que está a acontecer com os livros de Enid Blyton mais não é que uma forma de “censura” inaceitável.
Um destes dias apercebi-me que, por cá, há também quem se amofine, com a história da Carochinha. Consta que a influencer (uma nova profissão, porque parece que há quem viva disso!), chamada Mafalda Sampaio mostrou-se indignada com história da Carochinha por ser uma história sexista, a tal ponto que, consta que, esta digital influencer explicou à filha de quatro anos que os valores transmitidos na história são “mentira”. Disse a própria que, “um bocado chateada com aquilo, expliquei-lhe [à filha] que esta história é muito antiga e que é tudo mentira”.
Não quero, sequer imaginar, o que se poderá dizer sobre a história do Capuchinho vermelho e a subversão que a mesma constitui sobre o apelo e exploração do trabalho infantil. Muito menos, o que se poderá dizer da história do Patinho feio, como uma forma de discriminação dos menos dotados de beleza pela mãe natureza. E, se passarmos pela história dos três porquinhos, temos que a reescrever porque os ditos bacorinhos estiveram expostos, pela mãe porca, a vários perigos que, demandariam uma qualquer medida cautelar de promoção e proteção…
Haja Paciência!
A história não se reescreve e as histórias da história também não. E esta história começa assim:
- Era uma vez um gato maltês… (juro que não mudo o fim desta história!)
  * Advogada
 

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