5 Mar 2026
Sara Costa*
Opinião Política > Sara Costa
As eleições passaram e os lugares institucionais estão atribuídos. A representação formal ficou distribuída segundo a vontade expressa nas urnas. A responsabilidade política, porém, não se limita aos mandatos conquistados. Exerce-se também através da vigilância cívica, da análise rigorosa dos documentos públicos e da apresentação de propostas fundamentadas. A democracia local mede-se pela qualidade das decisões e pela transparência do processo, não apenas pela aritmética eleitoral.
A Estratégia Local de Habitação está aprovada e enquadrada no programa nacional 1.º Direito. O que importa agora é saber quantos agregados foram efetivamente apoiados, quantos processos aguardam decisão, quantos fogos foram reabilitados e em quanto tempo. A habitação é hoje o principal fator de exclusão silenciosa. Jovens trabalhadores não conseguem fixar-se no concelho. Famílias vivem sob pressão constante da renda. Idosos permanecem em casas degradadas. A resposta municipal precisa de metas anuais claras e relatórios públicos regulares. Sem transparência não há confiança.
O Plano Diretor Municipal entrou numa nova fase. Trata-se do instrumento que define onde se constrói e como se organiza o território. Cada alteração influencia o custo de vida, a mobilidade, o comércio local e a sustentabilidade ambiental. Crescimento disperso significa mais dependência do automóvel e maior despesa familiar. Planeamento compacto significa proximidade de serviços e melhor qualidade urbana. As decisões urbanísticas devem ser acompanhadas de estudos de impacto acessíveis aos cidadãos e de verdadeira participação pública.
A mobilidade interna continua a ser um teste de coesão. As freguesias precisam de ligações frequentes e compatíveis com horários laborais reais. Estudantes e trabalhadores por turnos não podem depender da exceção. Transporte funcional é condição de igualdade. O momento exige seriedade e capacidade técnica por parte de quem defende políticas de justiça social. Valores só ganham densidade quando se transformam em execução rigorosa e propostas concretas. Defendo metas verificáveis na habitação, monitorização permanente do planeamento urbano, reforço da mobilidade interna e mecanismos de participação com impacto real no orçamento municipal.
A política local será avaliada por resultados objetivos. Quantas casas recuperadas. Quantas ligações reforçadas. Que tempo médio de resposta aos cidadãos. É nessa escala concreta que se decide o futuro de Oliveira de Azeméis. Nesse plano o Bloco de Esquerda continuará a intervir!
* Bloco de esquerda (BE)