29 May 2026
Exclusivo - Presidente da autarquia admite ao Correio de Azeméis equacionar cenário
A requalificação dos antigos Paços do Concelho de Oliveira de Azeméis poderá vir a incluir gabinetes para o presidente da câmara, vereadores e oposição. O presidente não exlui ponderar a possibilidade no âmbito do projeto de refuncionalização do edifício
Questionado pelo Correio de Azeméis sobre a possibilidade de o edifício vir a acolher gabinetes políticos, Joaquim Jorge não afastou esse cenário. “Isso é uma questão que nós temos que equacionar”, afirmou o presidente da câmara, sublinhando que o objetivo é garantir que o imóvel continue a desempenhar uma missão pública e volte a ter vida junto da comunidade.
Espaço de memória com outras valências
O autarca confirmou que o projeto de requalificação “já está encomendado” e explicou que os antigos Paços deverão recordar “o percurso ao longo dos séculos” de Oliveira de Azeméis, dando destaque a instituições, figuras e momentos marcantes da história local. Entre os exemplos apontou os bombeiros, a União Desportiva Oliveirense, o Correio de Azeméis, a chegada da energia elétrica ao concelho, antigos espaços como o Rainha, o Dicton, o Cine-Teatro Caracas e a Estalagem São Miguel, além dos vários autarcas e figuras ilustres da terra.
Apesar da componente museológica ser assumida como missão principal, Joaquim Jorge admitiu outras funções: um salão nobre, uma sala ou espaço dedicado à Assembleia Municipal, uma área para a oposição, eventual sala para reuniões de trabalhadores no âmbito sindical e uma valência de cafetaria, bar ou restaurante, para permitir que o edifício funcione para além do horário normal da administração pública.
Oposição dividida sobre gabinetes
A possibilidade de instalar gabinetes políticos no edifício é vista de forma positiva por Manuel Almeida. O vereador do Chega considera que os antigos Paços têm “enorme simbolismo” para Oliveira de Azeméis e podem equilibrar a dimensão cultural e memorial com uma componente institucional e funcional.
Para Manuel Almeida, gabinetes para vereadores sem pelouro e oposição podem ser “uma mais-valia para a governação municipal” e reforçar a proximidade aos munícipes. O eleito defende que quem exerce funções políticas deve ter condições para receber cidadãos, realizar reuniões e acompanhar dossiers do concelho “com dignidade e eficácia”.
Pedro Marques discorda da eventual instalação de gabinetes políticos. O vereador defende que os antigos Paços devem assumir-se como a “verdadeira porta de entrada” de Oliveira de Azeméis e que a Casa da Memória deve ser o eixo central e praticamente exclusivo da refuncionalização.
O eleito admite a existência de um salão nobre para receções oficiais, cerimónias institucionais e representação do município, pela carga simbólica do edifício. Mas rejeita uma “mistura de funções dispersas”, com gabinetes políticos, estruturas administrativas ou outras utilizações que possam descaracterizar o projeto. “Um edifício com esta importância histórica não deve servir apenas para ocupar espaços vazios; deve ter uma missão clara e diferenciadora”, defende Pedro Marques, que deixa o aviso: “Que não se faça asneiras!”
Ideia vem de 2025
A intenção de dar aos antigos Paços uma função ligada à memória oliveirense já tinha sido assumida por Joaquim Jorge em reunião de Câmara, em julho de 2025. Na altura, o presidente disse que, pela história, identidade e importância do edifício, faria sentido criar ali uma “casa da memória” ou “casa da identidade oliveirense”, com espaço para recordar a história do concelho, do poder autárquico e das grandes realizações dos oliveirenses.