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Correio de Azeméis

11 Mar 2026

Expansão do cemitério custa 235 mil euros

Destaques Freguesias Cesar

Ângelo Silva quer fazer a obra sem endividar a Junta

Cesar > Após derrocada causada pela tempestade "Cláudia"

O que começou como uma emergência causada pelo mau tempo transformou-se no maior desafio financeiro do atual mandato em Cesar. A junta de freguesia apresentou à população o projeto de ampliação do cemitério local, uma obra orçada em mais de 235 mil euros.

Entre a necessidade de travar a instabilidade do terreno e a falta de lugares para enterramento, o executivo de Ângelo Silva propõe uma fórmula de autofinanciamento que divide opiniões, especialmente devido ao aumento do tarifário dos jazigos.
A motivação para esta intervenção foi imposta pela natureza. Em novembro de 2025, apenas 15 dias após a tomada de posse do atual Executivo, a tempestade "Cláudia" provocou a derrocada do muro nascente do cemitério de Cesar. O incidente não só danificou jazigos como expôs uma fragilidade estrutural grave.
Segundo o Presidente da Junta, Ângelo Silva, reconstruir apenas o que caiu seria "um remendo". "Temos o cemitério esgotado. Não tínhamos jazigos para venda nem espaço para crescer. Optámos por uma solução definitiva que garantisse lugares para os próximos 15 a 20 anos", explicou o autarca na sessão pública.
O plano técnico é complexo devido à orografia do terreno. A obra prevê a construção de muros de suporte em betão armado e a criação de novas plataformas que permitirão instalar 4 jazigos duplos, 30 jazigos simples e, pela primeira vez na freguesia, uma zona de columbários com 114 nichos para ossários ou cinzas.
O custo total da empreitada, inicialmente previsto em 235 mil euros, pode oscilar até aos 265 mil euros devido à volatilidade do preço do aço e do betão. Para financiar este "salto", a Junta garantiu 100 mil euros junto da Câmara Municipal (destinados aos muros de suporte), tendo de assegurar os restantes 135 mil euros através da venda antecipada dos novos lugares, recusando terminantemente o endividamento bancário.
 
O debate dos preços: Cesar vs. freguesias vizinhas
O momento de maior tensão na sessão surgiu quando Paulo Silva, Tesoureiro da Junta, revelou o novo tarifário aprovado em Assembleia de Freguesia: 7.000€ por um jazigo duplo e 3.500€ por um simples. Vários cidadãos cesarenses manifestaram indignação, comparando os valores com os praticados em Fajões, onde um jazigo simples custará cerca de 2.300€. "É um valor proibitivo para muitas famílias", lamentou um dos fregueses presentes, questionando se a Junta estaria a procurar obter lucro com a morte.
A réplica do executivo foi imediata e técnica. Ângelo Silva e Paulo Silva explicaram que a comparação com freguesias vizinhas é "enganadora" devido ao tipo de terreno. "Em Fajões o terreno é plano; em Cesar estamos a construir num declive acentuado que exige uma engenharia de betão armado caríssima", justificou.
O tesoureiro acrescentou que a fórmula de preço foi calculada para cobrir o custo da obra e garantir a manutenção futura, lembrando que os preços em Cesar não eram atualizados há cerca de 25 anos. "Não há lucro. Há o pagamento de uma estrutura que vai durar décadas", reforçou Paulo Silva.
"Preferíamos não ter de pedir este valor, mas entre não fazer a obra e deixar o cemitério cair, ou fazer uma obra com dignidade paga por quem dela vai usufruir, escolhemos a responsabilidade", afirmou Ângelo Silva.

A inovação dos columbários, nichos para cinzas e ossários
Perante a mudança de hábitos sociais e o aumento das cremações, a Junta de Cesar introduziu no projeto a criação de 114 columbários. Trata-se de uma solução mais económica (600€ por nicho) e que ocupa menos espaço, permitindo às famílias depositar ossadas ou cinzas de forma digna sem os custos elevados de um jazigo tradicional. Esta medida foi bem recebida pela população como uma alternativa necessária à falta de espaço.
 
O calendário da obra, prazos e vendas
A junta de freguesia pretende lançar o concurso público assim que as inscrições para a compra antecipada atinjam um nível de segurança financeira. O objetivo é que a obra avance ainda durante o ano de 2026, com um prazo de execução estimado de 12 meses. Os interessados devem dirigir-se à secretaria da Junta para formalizar a reserva, sendo que a adjudicação final da obra dependerá da resposta da população a este plano de autofinanciamento.

 

A salvaguarda social de Carlos Costa Gomes


Presente na sessão, Carlos Costa Gomes, presidente da Assembleia de Freguesia, interveio para serenar os ânimos e garantir a transparência do processo. Gomes sublinhou que os preços foram votados no órgão deliberativo e que a Junta está aberta a encontrar "fórmulas de pagamento faseadas"
O autarca defendeu que a prioridade é que "nenhum cesarense fique sem o seu lugar por motivos financeiros", sugerindo que casos de carência económica comprovada sejam analisados individualmente para permitir planos de prestações que acomodem o esforço das famílias.

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