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Correio de Azeméis

7 Jan 2026

Fragilidades financeiras foram expostas

Nogueira do Cravo Freguesias Concelho

Executivo avança que está a preparar um orçamento na ordem dos 260 mil euros para 2026

>Primeira assembleia de Nogueira do Cravo pós-desagregação

A primeira Assembleia de Freguesia de Nogueira do Cravo após a desagregação da união de freguesias ficou marcada por um debate aprofundado sobre a situação financeira herdada, a redução do financiamento disponível e a capacidade de resposta do novo executivo. A sessão revelou divergências políticas, esclarecimentos técnicos detalhados e um forte envolvimento dos cidadãos, com o presidente da Junta, Manuel Rebelo, a defender uma gestão prudente num contexto de recursos limitados.

Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da Mesa da Assembleia, Pedro Paiva, e abriram com uma intervenção crítica de Gaspar Almeida, que questionou a informação constante nos documentos financeiros apresentados. O eleito alertou para a redução do adicional do Fundo de Financiamento das Freguesias após a desagregação, considerando que “esta quebra tem impacto direto na capacidade da Junta responder às necessidades da freguesia” e defendendo que o ponto de partida financeiro deveria ser explicado com total clareza.
Gaspar Almeida apontou ainda falhas no funcionamento administrativo, como a não afixação atempada de editais, a ausência de alguns projetos nas opções do plano e a situação do Jardim de Infância, que, segundo referiu, “não se encontrava devidamente registado do ponto de vista notarial”, um aspeto que considerou relevante para futuras decisões sobre o edifício.
Em resposta, o presidente da junta, Manuel Rebelo, rejeitou leituras que, no seu entender, misturam análise política com dados técnicos. O autarca sublinhou que a dívida herdada está “claramente definida na ata do processo de extinção” e afirmou que o executivo trabalha com esse valor como referência. Segundo Manuel Rebelo, a freguesia recebeu um orçamento provisório para 2025 na ordem dos 70 mil euros, estando a ser preparado um orçamento para 2026 entre 260 e 266 mil euros, números que, frisou, “obrigam a uma gestão muito criteriosa”.
A explicação técnica foi aprofundada por Álvaro Martins, que detalhou a prestação de contas intercalar e a composição da dívida herdada. O técnico esclareceu que existem verbas associadas a programas e candidaturas, como Adritem e PRR, mas advertiu que “nem todas as verbas inscritas correspondem a dinheiro disponível de imediato”, distinguindo entre receitas previstas e fluxos financeiros efetivos.
O debate ganhou intensidade com intervenções de eleitos que defenderam decisões tomadas no período de transição, enquanto Lígia Silva, da oposição, questionou rubricas concretas do orçamento e projetos associativos. A eleita pediu maior rigor na comunicação financeira, afirmando que “é importante separar aquilo que está garantido daquilo que são apenas expectativas”.
Num registo mais propositivo, Francisco Figueiredo lançou o debate sobre o futuro do património local e defendeu a criação de uma comissão dedicada à zona histórica de Nogueira do Cravo, envolvendo eleitos, associações e cidadãos. O objetivo, explicou, seria pensar estratégias de valorização e salvaguarda do núcleo histórico, evitando decisões avulsas e promovendo uma visão integrada para o desenvolvimento da vila.
Outro tema transversal à sessão foi a falta de recursos humanos. Manuel Rebelo reconheceu dificuldades na contratação, admitindo que “não é fácil encontrar pessoas para determinadas funções”, mas garantiu que o executivo pretende abrir procedimentos concursais para assegurar maior estabilidade e melhorar a capacidade de resposta da Junta.
O período reservado ao público trouxe para a assembleia problemas do território, reforçando a pressão sobre o executivo para respostas eficazes num momento em que a freguesia inicia um novo ciclo administrativo e político:


“A identidade da vila tem de ser afirmada”
“Nogueira do Cravo é uma vila e deve afirmar-se como tal. É preciso mobilizar as pessoas, valorizar o associativismo e criar condições para que a freguesia não fique parada no tempo.”
António Rebelo

“Os debates devem ser feitos aqui”
“Os assuntos da freguesia não devem ser discutidos nas redes sociais. É aqui, na assembleia, que se deve falar dos problemas e encontrar soluções, com transparência.”
Domingos

“Há problemas antigos que continuam”
“As limpezas, as águas pluviais e algumas zonas industriais continuam a ter problemas sérios. São situações antigas que precisam de respostas concretas.”
José Silva
 

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