Francisco Valente quer um plano delineado para o futuro do concelho

Entrevistas - ADN Oliveirense com Helena Terra Concelho

Empresário admitiu sonho de um dia vir a ser presidente da Câmara Municipal

> ADN Oliveirense com Helena Terra e Eduardo Costa

Francisco Valente foi o protagonista do programa “ADN Oliveirense”. O empresário partilhou algumas curiosidades sobre a Molarte, mas também não esqueceu o seu passado político enquanto candidato à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis ou de deputado na Assembleia da República, criticando o seu estado atual.

 

CANDIDATO À CÂMARA POR ACASO, EM 1993. Foi a primeira campanha verdadeiramente profissional que o concelho teve. Eu não era para ser candidato em 1993, nem tinha isso como objetivo. O arquiteto Gaspar Domingues seria novamente candidato à Câmara e o número dois seria o Leonel. Nessa altura, eu era presidente da Comissão Política e candidato à Assembleia Municipal. Houve um desaguisado entre os dois, tivemos de fazer uma reunião e entendemos que invertíamos os papéis. Eu seria candidato à Câmara e o arquiteto à Assembleia Municipal. Tudo isto foi criado um bocado em cima do acontecimento.

PROCURA PELA EXPORTAÇÃO. Em 1985 há uma mudança muito grande na economia, com uma crise que assolava Portugal. Há a necessidade de começar a sair para o exterior. A Molarte, por estranho que pareça, começou logo a exportar para Singapura. Conseguimos fazer publicidade, pela primeira vez, para uma revista mundial, e somos depois contactados por uma empresa de Singapura para vender molas para colchões. Singapura, Malásia e só depois, bem mais tarde, Espanha, porque não havia União Europeia. Havia a ideia de que o que se fazia não tinha qualidade e depois a assistência pós-venda era difícil de se manter, porque tínhamos que fazer importação de qualquer defeito que o produto tivesse. 

A SITUAÇÃO POLÍTICA ATUAL. A política não pode ser aquilo que estou a ver atualmente. Uma arena onde cada um quer esgrimir as suas razões publicamente. A política é a arte de negociar. E só conseguimos fazer alguma coisa na vida se negociarmos. Se numa empresa não atenderes à dimensão humana, nós podemos pensar na inovação, na tecnologia, no serviço aos clientes, se não conseguires captar os teus empregos, não tens empresa.

CRÍTICA À FALTA DE PLANEAMENTO. Acho que deveria haver um sentido claro. Não sei qual é o melhor caminho, estou disponível para dar um contributo, o meu ponto de vista. É preciso que haja discussão.  Vamos todos discutir e ver se encontramos alguma coisa. Oliveira de Azeméis foi, na minha adolescência, essencialmente comercial. Porque a indústria estava concentrada praticamente toda em São João da Madeira. As coisas inverteram-se. A grande indústria de São João definhou, fechou, transferiu-se, e começámos a ter aqui uma indústria pujante, maravilhosa, do setor automóvel. E agora o setor automóvel está em crise. O que é que nós queremos para aqui? Temos é que ter um caminho.

UM SONHO POR CONCRETIZAR. O que me falta, mas se calhar vai morrer comigo sem nunca ser concretizado. Considero-me um fazedor, se calhar erradamente, e perdão a minha modéstia, falta-me ser presidente da Câmara Municipal.

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