Guerra ao inimigo

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Pandemia. O vírus que mudou as nossas vidas. Retomaremos a total normalidade? Na maneira como vemos (ou víamos...) as coisas, provavelmente sentiremos mudanças no futuro pós pandemia. Há décadas que a nossa vida tem uma existência relativamente descontraída. Não temos à porta nenhuma guerra desde há cerca de 75 anos. Temos uma democracia representativa, com direitos assegurados e deveres definidos, desde há mais de quatro décadas e meia. Pode-se assim dizer que há várias décadas que respiramos tranquilidade. Tivemos mais recentemente a Troika, mas foi o único facto que afetou a nossa economia e os nossos bolsos. Hoje, estamos em guerra. Contra um inimigo invisível. Imprevisível. Que mata. Que nos empobrece. Mas, também, que nos obrigou a alterar hábitos, as nossas prioridades. O Natal é o expoente dessa obrigatória alteração. O momento tradicional da reunião de famílias não vai existir. Pela primeira vez desde que há memória nas nossas gerações. Foi anunciado. Não foi surpresa. A pandemia está muito mais acelerada do que esteve na primeira vaga. Há que redobrar cuidados. Por tudo isso, há muitas coisas a que dávamos um valor trivial, tão habitual e certo que, agora que não as temos, estamos a dar-lhes um valor não imaginado. O Natal é apenas um dos hábitos que vamos passar a celebrar no futuro com muito maior significado. Provavelmente, e pelo menos, nas gerações que hoje vivem o temeroso estado pandémico. A vida continuará na normalidade durante o próximo ano. Quando a maioria da população estiver vacinada contra este temível vírus. Mas há coisas que vão ficar por largo tempo: a valorização dos muitos hábitos que estamos a perder nesta guerra.

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