5 Jun 2026
Exclusivo> Dois anos à espera por reparação de muro
Há quase dois anos que Joaquim Pinto aguarda uma solução para um problema que diz ter sido causado por uma obra realizada junto à sua habitação, nas imediações do apeadeiro de Cucujães. O muro cedeu, parte do terreno ficou exposto e, desde então, garante, a situação continua praticamente na mesma.
O Correio de Azeméis deslocou-se ao local e encontrou uma derrocada que se estende até muito perto da esquina da habitação. Entre a zona que ruiu e a casa existe foi apenas por ‘um cabelo’ que os danos não chegaram mais longe. A área encontra-se delimitada por fitas de sinalização, colocadas para alertar quem passa, mas não são visíveis quaisquer sinais de intervenção recente.
Segundo Joaquim Pinto, tudo aconteceu durante trabalhos de alcatroamento da via. O morador afirma que uma máquina utilizada na obra circulou demasiado perto do muro e acabou por provocar o seu colapso.
“O cilindro andou lá rente ao muro e espetou aquilo abaixo”, recorda.
Na altura, conta, a família foi tranquilizada pelos responsáveis da obra. “Disseram à minha tia que não se preocupasse, que a Câmara pagava aquilo”, afirma. A promessa, diz, nunca passou do papel.
Contactos sem resposta
Desde então, Joaquim Pinto garante ter tentado por várias vezes obter esclarecimentos junto da Câmara Municipal. Recorda que lhe foi indicado um responsável técnico para acompanhar o assunto, mas afirma nunca ter conseguido resolver o problema.
“Já liguei várias vezes para lá. Dizem sempre que vão passar a chamada e ninguém resolve nada”, lamenta.
O morador refere ainda que houve uma deslocação ao local por parte de técnicos, mas sem consequências práticas. “Vieram cá, olharam para aquilo e foram-se embora.” Quase dois anos depois, a única alteração visível, diz, foram as fitas colocadas para assinalar a zona afetada.
Além dos danos no muro, Joaquim Pinto teme que a situação se agrave com o passar do tempo. A erosão provocada pela chuva e a proximidade da derrocada à habitação alimentam a preocupação da família.
“Aquilo está aberto. Com os invernos e com a água, vai sempre mexendo mais”, refere.
A abertura criada pela queda do muro trouxe ainda outro tipo de problemas. Joaquim Pinto conta que a família mantém algumas aves no terreno e que, desde que a vedação desapareceu, tem encontrado animais a circular pelo espaço. “Aquilo está aberto. Já vimos raposas ali”, afirma.
Mais do que os danos materiais, o que mais incomoda Joaquim Pinto é aquilo que considera ser uma falta de respeito para com quem tenta resolver um problema que não criou.
“Isto é brincar com as pessoas”
O morador diz não compreender porque continua à espera de uma solução quando, na sua perspetiva, a responsabilidade pelo sucedido foi assumida logo após a obra.
“Se fosse eu que tivesse provocado os estragos, já me tinham chamado para pagar. Mas neste caso ninguém resolve nada”, lamenta.
O Correio de Azeméis solicitou esclarecimentos à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis sobre a situação relatada por Joaquim Pinto, nomeadamente sobre a origem dos danos, as diligências realizadas e a eventual reparação do muro. Até ao fecho desta edição, não tinha sido recebida qualquer resposta.