José Costa comemora, este ano, duas décadas de dedicação à Oliveirense
Há 20 anos que José Costa é o roupeiro da União Desportiva Oliveirense, um papel que descreve como o local “onde tudo começa e tudo acaba”. Longe dos holofotes, a sua missão principal é garantir o conforto dos jogadores, uma preocupação constante que acredita ter impacto direto no desempenho em campo.
A rotina de José Costa é exigente e não conhece horários fixos. “O meu horário é quando eu tiver tudo arrumado”, afirma, sendo sempre o primeiro a chegar ao estádio, antes das 8h. Diariamente, percorre “muitos quilómetros” entre a rouparia e a lavandaria, equipada com máquinas de 14kg e 16kg. O inverno, com mais camadas de roupa, “é o triplo do trabalho”.
Ao longo destes 20 anos, José Costa adaptou-se às mudanças nas exigências dos jogadores e nas roupas. “Agora basta um trazer uma novidade que todos vão atrás”, explica, referindo-se a itens como casacos, golas e luvas que se tornaram comuns.
A sua dedicação vai além da limpeza, faz questão de usar um amaciador perfumado para que a roupa “arrume mais” e seja “mais macia”, procurando detergentes que “façam um bocadinho de diferença”. Este cuidado com a fragrância já o acompanha há muito tempo, mesmo que as marcas e as promoções o levem a experimentar novos produtos.
A preparação para os jogos, sejam em casa ou fora, é minuciosa. Para os jogos fora, José Costa prepara as malas individuais para cada jogador, identificando-as com o número. No balneário, no dia do jogo, o equipamento está pronto no lugar de cada um, com as camisolas penduradas e os “cestinhos” com os extras já à espera para que se sintam “mais confortáveis”.
A logística em jogos nas ilhas, por exemplo, é facilitada por parcerias que evitam ter de levar bolas ou toalhas. Além da roupa, José também é responsável por encher as bolas oficiais, garantindo que a pressão esteja entre 0.8 e 1 bar.
A sua relação com os atletas transcende o mero tratamento do equipamento. José Costa considera que o seu trabalho é também “mimar um bocadinho o jogador” e, por vezes, oferece conselhos. A sua filosofia é clara: “se o jogador for daqui aborrecido... lá dentro as coisas também não funcionam”. A humildade é uma marca da sua personalidade, preferindo “estar na sombra”, mas ciente da responsabilidade: “se eu errar em algo... eles andam comigo às costas”. Essa dedicação e profissionalismo valeram-lhe o respeito e carinho de todos no clube.